Com uma edição impecável e sem apelar para sentimentalismos baratos, Roberto Berliner e Pedro Bronz mergulharam na vida do lider dos Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, e trouxeram à tona um dos melhores documentários apresentados nos últimos tempos.segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Herbert de Perto
Com uma edição impecável e sem apelar para sentimentalismos baratos, Roberto Berliner e Pedro Bronz mergulharam na vida do lider dos Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, e trouxeram à tona um dos melhores documentários apresentados nos últimos tempos.sexta-feira, 2 de outubro de 2009
As Olimpíadas de 2016 são do Rio
Eu já sabia!As Olimpíadas de 2016 são do Rio de Janeiro! Mais uma vez a Cidade mostrou o que nem precisava mais provar: que ela é maravilhosa.
Não fazemos parte do primeiro mundo, nossas riquezas não se comparam com as de Tóquio e Madri, que também estavam na disputa, mas, como disse o presidente Lula, “enquanto as outras cidades mostraram projetos nós mostramos o nosso coração, a nossa alma”.
E é esse um dos principais motivos que fazem o Mundo todo olhar para o Rio: nossa emoção exacerbada, esse calor humano que só o carioca é capaz de transmitir.
Desde as 10h da manhã eu acompanhei bem de pertinho, da praia de Copacabana, toda a festa que a cidade preparou para receber a notícia de quem iria sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Às 12h veio a maior surpresa do dia: Chicago foi a primeira cidade a ser eliminada. Todos esperávamos que o Rio disputaria pau a pau com os americanos, o que não aconteceu. Isso sem contar que até eles torciam por nós.
Logo após o anúncio da eliminação de Chicago soubemos que Tóquio também estava fora da disputa. Cerca de cem mil pessoas vibravam nas areias de Copacabana com o aumento da possibilidade de o Rio receber as Olimpíadas.
A tensão tomava conta do público. Ninguém mais escondia o nervosismo. Para acalmar os ânimos o cantor Lulu Santos tocou seus maiores sucessos em um palco montado em frente ao Copacabana Palace. Mas o que queríamos mesmo era saber o resultado final dessa disputa que acontecia há dois anos. E, somente às 13h50, pessoas de todas as idades, de todo canto do país se abraçavam felizes com a notícia de que o Rio de Janeiro havia conquistado esse privilégio de receber o evento esportivo mais importante depois da Copa do Mundo.
O interessante é que apesar de todos os problemas que enfrentamos em diversos setores nós somos nota mil no quesito união. Num momento como esse nos esquecemos de raça, credo, condição social e nos unimos em prol de um mesmo ideal.
Caminhando pelas areias pude observar artistas, atletas como Shelda e Leila, que nos deram muitas alegrias no vôlei, a ginasta Daniele Hypólito, o judoca Flavio Canto, enfim, todos celebrando juntos a vitória não só do Rio, mas do Brasil e da América do Sul!
Eu não tenho palavras para descrever o que vi na praia de Copacabana. Muitos que ali comemoravam sequer têm noção dos benefícios que teremos com a vinda das Olimpíadas, que acontecem dois anos depois da Copa do Mundo, que também será aqui.
Mas isso não importa nesse momento. O que importa é que o Brasil mostrou sua força e que o Mundo terá que nos engolir!!!!
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Bienal do Livro

No útimo dia 10, o Riocentro se transformou numa imensa biblioteca. Trata-se da XIV Bienal do Livro, que vai ocupar o espaço até o dia 20.
Só neste fim de semana mais de 47 mil pessoas passaram pelos três pavilhões do evento. Ao todo, nos quatro primeiros dias de Bienal (
No ano de 1995, Nicholas Negroponte, diretor do Massachusetts Institute of Technology, ensaiou o fim do papel em “A Vida Digital”. A afirmação foi baseada no surgimento dos e-books. Mas, pelo visto, parece que isso tudo não passou de falácia.
Como o livro pode estar com os dias contados se cada edição da Bienal bate um recorde de público?
Para o escrito Ruy Castro, “o livro já nasceu perfeito: é portátil, leve, bonito, gostoso. Pode ser levado para a cama, o banheiro, o bonde, o ônibus, o trem e o lotação. E é barato -- quem não puder comprá-lo nas livrarias normais tem os sebos e até os livros vendidos na calçada. Além disso, ao contrário do CD e do DVD, não precisa de um aparelho para tocar. Para ser usado, basta abri-lo e ele está pronto para ser lido. O livro só depende de nós. E, ultimamente, cada vez mais de nós -- precisamos dar a ele, de volta, o que ele nos deu nos últimos 600 anos”.
Depois dessa explicação, não há o que discutir! Por mais que seja mais fácil baixar uma obra inteira na internet, quem agüenta passar o dia inteiro na frente de um computador?
Ruy aproveitou para dar umas dicas de leitura...
“Sem falsa modéstia, indico dois: "O leitor apaixonado - Prazeres à luz do abajur", de mim, mesmo, e "Uma ilha chamada livro", de Heloisa Seixas. Ambos os livros são compostos de texto sobre literatura, o prazer de ler, a magia das palavras etc”.
"Mania de substituir uma coisa pela outra"
Quem também não acredita nessa história de fim do livro é a jornalista e escritora Martha Medeiros.
“Temos essa mania de prever a substituição de uma coisa pela outra, como se elas não pudessem coexistir. No caso da literatura, acho que ela seguirá se desenvolvendo pela internet, que é uma ferramenta poderosíssima, mas continuará sendo impressa em papel, porque um livro é mais que um objeto de consumo, ele possui uma mística e os leitores realmente apaixonados por literatura não irão permitir que isso acabe”.
O que ela disse tem muito a ver com a famosa frase do químico francês Lavoisier: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Ou seja: o mundo vai evoluindo, novas tecnologias surgem para facilitar mais a nossa vida, mas sem necessariamente substituir o que já existe.
Pensamento parecido tem a escritora Heloisa Buarque de Hollanda. Para ela, “o livro está mais vivo do que nunca e a internet é um auxiliar fantástico nessa vitalidade”.
Aproveitando que os preços na Bienal estão em conta, Heloísa também sugeriu algumas obras.
“A arte de produzir efeito sem causa” - Lourenço Mutarelli; “Ballets” - Bruna Beber; “Rasif” - Marcelino freire, “A Literatura em Perigo” - Tzvetan Todorov e “Free” de Chris Anderson.
E a Bienal do Livro não é só venda de obras. Tem também debates interessantes com grandes nomes, como o correspondente do jornal americano "New York Times" Larry Rother e o antropólogo Roberto DaMatta, além de sessão de autógrafos com importantes escritores, como Ana Maria Machado e Ziraldo.
Uma ótima oportunidade para pôr a leitura em dia sem gastar muito!
A XIV Bienal do Livro acontece até o dia 20 de setembro. Para mais informações sobre a programação basta acessar o portal www.bienaldolivro.com.br.
domingo, 23 de agosto de 2009
O despertar da primavera
Em meio a tantos espetáculos-shows que pecam com textos fracos e óbvios, eis que surge o talvez melhor musical de todos os tempos: "O despertar da primavera", da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, em cartaz no Teatro Villa-Lobos, em Copacabana.Música de Ducan Sheik
DIREÇÃO: Charles Möeller
VERSÃO BRASILEIRA / SUPERVISÃO MUSICAL: Claudio Botelho
DIREÇÃO MUSICAL: Marcelo Castro
COREOGRAFIA: Alonso Barros
CENÁRIO: Rogério Falcão
FIGURINOS: Marcelo Pies
VISAGISMO: Beto Carramanhos
DESIGN DE LUZ: Paulo César Medeiros
DESIGN DE SOM: Marcelo Claret
COORDENAÇÃO ARTÍSTICA: Tina Salles
ELENCO:
APRESENTANDO
COM:
PRODUTOR EXECUTIVO: Luiz Calainho
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Aniela Jordan, Beatriz Secchin Braga, Monica Athayde Lopes
UM ESPETÁCULO DE: Charles Möeller & Claudio Botelho
SERVIÇO
‘O Despertar da Primavera’
Temporada de 21 de agosto a 15 de novembro
Classificação etária: 14 anos
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Prêmio Multishow: uma vergonha para a MPB
Trata-se de um evento em que o público é quem manda. Internautas espalhados por todo o país é que escolhem os indicados às inúmeras categorias da premiação. Só assim bandas inexpressivas e sem qualquer qualidade sonora, como NXZero, conseguem sonhar com um troféu. E foi exatamente isso que aconteceu.
Um dos primeiros prêmios a serem entregues foi o de Revelação. Os sortudos foram os integrantes da Banda Cine, uma mistura de Hanson com Menudos que tem, no repertório, letras como "Who o ow / Eu te completo baby / Who o ow / Vem que é certo baby". Os fãs ovacionavam os adolescentes como se o Papa estivesse na frente deles. Cena, no mínimo, banal.
E o que dizer do Fresno ganhar como melhor banda? O grupo desbancou NXZero, Jota Quest, Skank e EVA. Essa última eu nem sabia que ainda existia.
Acho interessante o canal Multishow ouvir seus telespectadores, promover um evento cujo grito de guerra era "Misture-se", mas colocar Lenine e seu Jorge para disputarem o prêmio de melhor cantor é inaceitável. E ver o primeiro desbancando o segundo é inadmissível!
E o que dizer de Ivete Sangalo fazendo de tudo para mostrar a barriga de sete meses, apagando totalmente Zeca Pagodinho?
Foi tanta cena bizarra que tirou todo o brilho da homenagem feita à Rita Lee e à Raul Seixas. Uma pena!
Por essas e outras prefiro ficar longe do Vox Populi.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Não são dois diplomas que me fazem melhor ou pior jornalista
Estou muito satisfeita por ter feito uma faculdade de jornalismo e, logo em seguida, uma pós. Gosto de estudar e tive ótimos professores. Sempre trabalhei no meio e, talvez, se eu não tivesse feito curso superior, me daria igualmente bem. Sendo assim, não foi um diploma que me fez melhor ou pior jornalista.sexta-feira, 19 de junho de 2009
Parabéns ao mestre Chico Buarque
Em 19 de junho de 1944 nascia no Rio um dos maiores gênios da nossa música. Quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim, Francisco Buarque de Hollanda passou décadas conquistando gerações com sua musica, sua poesia, sua literatura.Lembrando algumas palavras do crítico literário Harold Bloom, Chico Buarque não tem rival na história da música. É um artista tão forte que suas obras alteraram os rumos e continuamos vivendo até hoje sob seu impacto. Chamá-lo de gênio, portanto, é fazer-lhe justiça.
Por isso, deixo aqui a minha singela homenagem ao grande poeta Chico Buarque de Hollanda. Chico, tudo de mais, de muito, de melhor pra você!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
“O exterminador do futuro 4: A salvação”
Quando soube que o ator Christian Bale ia fazer o Batman não recebi muito bem a informação. Embora tenha começado bem cedo no cinema, em “Império do Sol”, nunca o achei tão bom assim, ainda mais pela dicção ruim. Mas se na série do super-herói ele já havia me surpreendido, em “O exterminador do futuro 4: A salvação” ele apagou qualquer má impressão.No melhor longa da saga, Bale é John Connor, líder da resistência humana contra a Skynet e seu exército de máquinas. Prestes a descobrir um jeito de destruir de vez os exterminadores, o herói conhece Marcus Wright (Sam Worthington), um estranho sem memória, que surgiu do nada e só lembra de ter estado no corredor da morte.
O ator, aliás, rouba todas as cenas. É a prova de que não é necessário ter um rosto famoso para que o filme dê certo. Com a chegada de Marcus, Connor precisa descobrir se ele vai mata-lo ou ajuda-lo, ainda mais quando descobre que ele, na verdade, é um robô (o que o próprio Marcus não sabia).
Mas isso não é tudo. Quem não acompanhou as outras três edições não vai ficar tão perdido. Durante o filme, Connor ouve repetidas vezes uma fita em que sua mãe, Sarah, conta mais ou menos o que está por vir, inclusive que ele encontrará seu pai,
Kyle Reese (Anton Yelchin) ainda adolescente.
Explicando assim parece meio confuso, mas não é. O roteiro é bem amarrado e as cenas são incríveis, embora tenham sido dirigidas por McG, do fraquíssimo “As panteras”. Os efeitos estão impecáveis, assim como a sonoplastia, meio “Guerra dos mundos”.
Para ninguém sentir falta de Arnold Schwarzenegger, o ator aparece no final, mas computadorizado, no corpo de Roland Kickinger. Desta vez ele tenta acabar com a vida de Bale. E quase consegue! E, se não faltou Schwarzenegger, também não faltou Guns. O clássico “You could be mine” embala uma das cenas de Connor.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Um leitor ignorante
Lendo o maravilhoso artigo de Mário Marques, no JB, em que ele fala que, após escutar Chico Buarque nos convencemos que a idiota da Mallu Magalhães e o patinho feio da Susan Boyle não são nada - o que nem precisa de muito - deparei-me com um comentário um tanto quanto bizarro.quinta-feira, 28 de maio de 2009
Sarney recebe auxílio-moradia por um ano e diz que não sabia
O ex-presidente José Sarney disse hoje que não sabia que estava recebendo auxílio-moradia. O presidente do Senado explicou que nunca solititou o benefício, uma vez que tem casa própria em Brasília, e que, por um equívoco, em 2008, estavam depositando na conta dele a quantia de R$3.800,00.terça-feira, 19 de maio de 2009
Bela iniciativa
O governador do Rio, Sérgio Cabral, conclamou na tarde desta segunda que os membros do governo assumam suas orientações sexuais sem constrangimentos. "A Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Defensoria, eu conclamo a todos os membros do governo que no dia da Parada Gay se identifiquem e passeiem no desfile. O parlamentar homossexual, o jogador de futebol homossexual", disse.
Cabral completa que assumir a liberdade, o livre-arbítrio, o desejo, é uma conquista extraordinária. Nesta segunda, o governador do Rio participou da criação do Conselho dos Direitos da População LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) do Estado.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
X-Men Origins: Wolwerine - Dá sono de tão tosco
Como fã de X-Men fui ao cinema assistir à mais nova saga com grande espectativa, mas o filme é tão ruim que nem Hugh Jackman prendeu minha atenção.segunda-feira, 11 de maio de 2009
Clandestinos - Uma das melhores peças em cartaz no Rio
Existe uma diferença gritante entre um diretor que não precisa fazer alarde e um que está desesperado para alcançar a fama. E isso fica muito claro quando assistimos "Clandestinos", de João Falcão.A crítica veio tarde, uma vez que ontem foi o último dia do espetáculo no Teatro das Artes, na Gávea. Mas a peça retorna no próximo dia 17, em única apresentação, no Canecão.
No palco, um jovem diretor quer escrever uma peça sobre os diversos aspirantes a ator em busca da fama. Tem de tudo: de ex-modelo à gordinha que quer ser a mocinha da história.
Com um texto leve e sem estereótipos baratos, João Falcão critica, com muito humor e inteligência, a mídia, pseudo-artistas que se vendem a qualquer preço para aparecer, a indústria da beleza e tantos outros fatores que empobrecem, a cada dia, a arte cênica.
Os atores são todos encantadores. Parece que já estão na estrada há anos, embora nenhum ali tenha um rosto conhecido. Como se precisasse também! Há, ainda hoje, quem vá ao teatro pensando em ver um rostinho bonito e famoso, deixando em segundo plano o profissionalismo da companhia.
E um detalhe muito legal também é o fato de a maioria ali tocar um instrumento. Ou seja: além do show de interpretação, os atores surpreendem com a trilha sonora.
O cenário é impecável. Escuro, iluminado com velas para dar um charme às paredes rabiscadas de giz.
Não podia esperar menos de João Falcão, cujo currículo dispensa comentários."Clandestinos" volta dia 17 de maio, domingo, no Canecão. Programa imperdível.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Um político está se lichando para um país que não se importa
O deputado Sérgio Moraes, relator do caso contra Edmar Moreira no Conselho de Ética, declarou nesta quarta que não vê motivos para pedir a cassação do colega e que não deve prosseguir com as investigações. domingo, 3 de maio de 2009
Algumas palavras sobre Augusto Boal
Há pessoas que, só de falar o nome, não precisam de elogios, pois torna-se até redundante. É o caso de Augusto Boal, um dos maiores homens de visão que o teatro já teve e que nos deixou neste 2 de maio cinzento.quinta-feira, 30 de abril de 2009
Eu, hein!
O deputado Jorge Babu criou um projeto de Lei que visa obrigar a Secretaria estadual de Saúde a divulgar lista de todas as pessoas que têm o vírus HIV.Para ele, "o princípio da isonomia ensina que devemos tratar os iguais de forma igual e os diferentes de forma diferente". Babu acredita que profissionais envolvidos no atendimento a pessoas acidentadas possuem o direito, constitucional, de saber se estão tratando de um cidadão soropositivo".
A proposta, obviamente, causou polêmica. Mas o objetivo aqui não é nem discutir o teor do projeto pra não dar ibope. Como diz meu pai "não bata palmas para maluco". A questão é: o que uma pessoa expulsa do PT por comprovadamente participar de milícia está fazendo na Câmara, recebendo salário que sai do meu, do seu, do nosso bolso?
Como diz Ancelmo Gois: "Eu, hein!".
terça-feira, 14 de abril de 2009
Parem de falar mal da rotina
Até que enfim uma comédia inteligenteHavia tempos em que não dormia em uma peça de comédia. Às vezes tento imaginar até onde certos diretores vão chegar para atrair o público, tamanha besteira que ando vendo por aí. Acho que eles precisam é de uma aula com a talentosa Elisa Lucinda, em cartaz no teatro Sesi com a peça “Parem de falar mal da rotina”.
Antes de contar o espetáculo, é preciso falar um pouquinho sobre a carreira dessa artista. Poetisa, atriz, intelectual, simples e simpática. Uma observadora da vida, espectadora atenta a esses grandes atores que somos nós.
Logo no início de “Parem de fala mal da rotina” ela já avisa que adora escutar conversa alheia, “fofocar”. E foi daí que nasceu essa divertida comédia.
Ela não fala nada que não sabemos, nenhuma anomalia. Coisas básicas do tipo “respeitem nossas crianças”, “não sejam controlados pela moda”, “amem como se fosse o último dia de vocês”. O problema é que vivemos hoje uma vida tão mecânica que precisamos, o tempo todo, que alguém nos lembre disso, que alguém nos diga que a rotina somos nós que escolhemos.
Outro fato importantíssimo que ela leva para o palco é a importância da poesia. Ao menos no meu tempo – e duvido que ainda tenha isso hoje, eu era obrigada a simplesmente ler alguns textos. Tinha sempre uma professorinha que, como “castigo”, mandava o aluno mais preguiçoso recitar o poema em voz alta e quem pagava era mais a turma do que a suposta vítima. “As pessoas não sabem ler poesia”, grita Lucinda, com voz quase que de desespero.
E é verdade. Quem pega uma letra de música e a declama? Quem hoje pega um Neruda ou um Castro Alves e tenta entrar na mente desses dois grandes poetas, mergulhando em seus tão brilhantes versos?
A poesia agoniza à espera de alguém a sinta, não simplesmente a leia.
No palco, Elisa canta, declama, chora, briga, emociona. Ao final do espetáculo, em cartaz há 8 anos, a atriz pergunta “quem já viu essa peça mais de uma vez?”. Não são poucos que respondem “mais de 3”. Prova do sucesso absoluto.
Parem da falar mal da rotina
Teatro Sesi
Avenida Graça Aranha, 1 - Centro
Sexta, sábado e domingo, às 19h
Temporada até 31 de maio
Informações: 2563 - 4163
Classificação: 14 anos
segunda-feira, 9 de março de 2009
Atriz e modelo salva "Cachorras quentes"
Entre tantos modelos que pensam que são atores, uma se destaca por verdadeiramente trabalhar bem. Em "Cachorras quentes", de Luis Carlos Góes, a atuação de Gianne Albertoni foi a única coisa que me chamou atenção em um texto fraco e sem graça.Ingresso: R$ 60,00 (qui.e sex.) e R$ 70,00 (sáb.e dom.)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Se eu fosse você - 2
Provei pra mim mesma que não se deve tirar conclusões precipitadasNem precisava ter passado por isso pra saber, mas valeu para reforçar.
Falo isso porque fui assistir a "Se eu fosse você 2" com os dois pés atrás. Não sou fã desse tipo de filme, acho que o Brasil tem longas muito mais interessantes, fora do circuito, e comédia, pra mim, só de Woody Allen e companhia.
Pra início de conversa, qualquer filme com Tony Ramos e Glória Pires só pode dar certo. É indiscutível o talento dos dois. Vide "O primo Basílio", que não foi lá essas coisas, mas a Juliana da Glória é simplesmente impecável. Quanto ao Tony, desconheço sua carreira cinematográfica, mas, em se tratando de novela, ele está muito acima de um Lima Duarte ou um Antônio Fagundes, que lembram sempre os mesmos personagens (mas reconheço o talento de ambos, que fique claro!). Afinal, não é pra qualquer um fazer um papel feminino sem simplesmente ser uma bichona ou interpretar um homem sem virar um machão.
O roteiro de Adriana Falcão, Euclydes Marinho e Renê Belmonte não podia estar mais amarradinho. O texto flui bem e, combinando com a direção sempre impecável de Daniel Filho, não podia dar outro resultado: mais de dois milhões de espectadores em 10 dias de exibição.
Enfim, essa é a melhor versão de "Se eu fosse você". O filme está mais maduro e já pede um terceiro. Vale a pena conferir!
Completam o elenco a "Emília" Isabelle Drummond, Cássio Gabus Mendes, Vivianne Pasmanter, Marcos Paulo, Chico Anysio - sempre engraçado - Maria Luisa Mendonça, Adriane Galisteu - desnecessária - , Maria Gladys, Bernardo Mendes (fraquinho...) e Ary Fontoura.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Se for pra ganhar assim, prefiro perder
Nada de lágrimas de uma eleitora revoltada. Já estou acostumada a ver meus candidatos serem derrotados nas urnas. Mas estas eleições tiveram um gosto diferente.
Pra começar, Fernando Gabeira perdeu com uma diferença pífia de 55 mil votos - menos do que a lotação do Maracanã.
Ele não partiu para a ignorância e, mesmo sendo acusado o tempo todo por Paes de dar continuidade ao governo de Cesar Maia, que declarou apoio ao verde, não fez questão de lembrar que o peemedebista é cobra criada do Democratas e sem identidade - trocou de partido oito vezes.
E se for pra falar em más parcerias, que tal isso: a eleição de Eduardo Paes abre para Cabral a perspectiva de controle sobre Estado e Município, que juntos gastam R$ 47 bilhões por ano. É uma folha nada desprezível, de dimensão suficiente para abrigar a fatura dos acordos eleitorais, que incluem o PTB de Roberto Jefferson e o PT de Benedita da Silva. Sem comentários sobre os dois...
Cabral vai abandonar governo para ser vice de Dilma
Ainda tem o fato de que Paes, na verdade, não era apoiado por Lula. Ele é tão insignificante para o Governo Federal que demorou para deslanchar a candidatura, provocou briga interna no PMDB e só ganhou amizade do presidente, a quem chamou de ladrão por repetidas vezes, porque o petista-mor é amigo de Cabral e tem interesse de que ele se saia bem no Rio para ser vice de Dilma Rousseff em 2010. Isto é: Sergio Cabral vai abandonar o Governo para participar de campanha presidencial.
Quer dizer: Paes ganhou fazendo politicagem, trocando de partido e indo pro tudo ou nada. Gabeira praticamente empatou sendo sincero e correto.
Ainda tem um detalhe que não abordei por considerar culpa da população.
O digníssimo governador puxou o feriado pelo Dia do Servidor, que seria nesta terça, para hoje. Com isso 927.250 (ou 20,24%) dos eleitores viajaram, deixando para trás o seu dever de cidadão.
Jogada do Cabral? Sem dúvida, mas se essas pessoas se preocupassem com o futuro do Estado teriam votado independente do que o governo decretasse. Sendo assim continuo com a máxima de que cada povo tem o político que merece.
Espero que tenha sido bom para os peemedebistas. Quanto à Gabeira, esse sim saiu vitorioso e, realmente, não merecia essa máquina falida que é a prefeitura. O lugar dele é na Câmara, onde tem maior espaço e utilidade.
