sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As Olimpíadas de 2016 são do Rio

Eu já sabia!

As Olimpíadas de 2016 são do Rio de Janeiro! Mais uma vez a Cidade mostrou o que nem precisava mais provar: que ela é maravilhosa.

Não fazemos parte do primeiro mundo, nossas riquezas não se comparam com as de Tóquio e Madri, que também estavam na disputa, mas, como disse o presidente Lula, “enquanto as outras cidades mostraram projetos nós mostramos o nosso coração, a nossa alma”.

E é esse um dos principais motivos que fazem o Mundo todo olhar para o Rio: nossa emoção exacerbada, esse calor humano que só o carioca é capaz de transmitir.

Desde as 10h da manhã eu acompanhei bem de pertinho, da praia de Copacabana, toda a festa que a cidade preparou para receber a notícia de quem iria sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Às 12h veio a maior surpresa do dia: Chicago foi a primeira cidade a ser eliminada. Todos esperávamos que o Rio disputaria pau a pau com os americanos, o que não aconteceu. Isso sem contar que até eles torciam por nós.

Logo após o anúncio da eliminação de Chicago soubemos que Tóquio também estava fora da disputa. Cerca de cem mil pessoas vibravam nas areias de Copacabana com o aumento da possibilidade de o Rio receber as Olimpíadas.

A tensão tomava conta do público. Ninguém mais escondia o nervosismo. Para acalmar os ânimos o cantor Lulu Santos tocou seus maiores sucessos em um palco montado em frente ao Copacabana Palace. Mas o que queríamos mesmo era saber o resultado final dessa disputa que acontecia há dois anos. E, somente às 13h50, pessoas de todas as idades, de todo canto do país se abraçavam felizes com a notícia de que o Rio de Janeiro havia conquistado esse privilégio de receber o evento esportivo mais importante depois da Copa do Mundo.

O interessante é que apesar de todos os problemas que enfrentamos em diversos setores nós somos nota mil no quesito união. Num momento como esse nos esquecemos de raça, credo, condição social e nos unimos em prol de um mesmo ideal.

Caminhando pelas areias pude observar artistas, atletas como Shelda e Leila, que nos deram muitas alegrias no vôlei, a ginasta Daniele Hypólito, o judoca Flavio Canto, enfim, todos celebrando juntos a vitória não só do Rio, mas do Brasil e da América do Sul!

Eu não tenho palavras para descrever o que vi na praia de Copacabana. Muitos que ali comemoravam sequer têm noção dos benefícios que teremos com a vinda das Olimpíadas, que acontecem dois anos depois da Copa do Mundo, que também será aqui.

Mas isso não importa nesse momento. O que importa é que o Brasil mostrou sua força e que o Mundo terá que nos engolir!!!!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Bienal do Livro

No útimo dia 10, o Riocentro se transformou numa imensa biblioteca. Trata-se da XIV Bienal do Livro, que vai ocupar o espaço até o dia 20.

Só neste fim de semana mais de 47 mil pessoas passaram pelos três pavilhões do evento. Ao todo, nos quatro primeiros dias de Bienal (10 a 13/09), o total de público foi de mais de 173 mil visitantes. Um contraste diante das profecias de que o livro vai acabar.

No ano de 1995, Nicholas Negroponte, diretor do Massachusetts Institute of Technology, ensaiou o fim do papel em “A Vida Digital”. A afirmação foi baseada no surgimento dos e-books. Mas, pelo visto, parece que isso tudo não passou de falácia.

Como o livro pode estar com os dias contados se cada edição da Bienal bate um recorde de público?

Para o escrito Ruy Castro, “o livro já nasceu perfeito: é portátil, leve, bonito, gostoso. Pode ser levado para a cama, o banheiro, o bonde, o ônibus, o trem e o lotação. E é barato -- quem não puder comprá-lo nas livrarias normais tem os sebos e até os livros vendidos na calçada. Além disso, ao contrário do CD e do DVD, não precisa de um aparelho para tocar. Para ser usado, basta abri-lo e ele está pronto para ser lido. O livro só depende de nós. E, ultimamente, cada vez mais de nós -- precisamos dar a ele, de volta, o que ele nos deu nos últimos 600 anos”.

Depois dessa explicação, não há o que discutir! Por mais que seja mais fácil baixar uma obra inteira na internet, quem agüenta passar o dia inteiro na frente de um computador?

Ruy aproveitou para dar umas dicas de leitura...

“Sem falsa modéstia, indico dois: "O leitor apaixonado - Prazeres à luz do abajur", de mim, mesmo, e "Uma ilha chamada livro", de Heloisa Seixas. Ambos os livros são compostos de texto sobre literatura, o prazer de ler, a magia das palavras etc”.

"Mania de substituir uma coisa pela outra"

Quem também não acredita nessa história de fim do livro é a jornalista e escritora Martha Medeiros.

“Temos essa mania de prever a substituição de uma coisa pela outra, como se elas não pudessem coexistir. No caso da literatura, acho que ela seguirá se desenvolvendo pela internet, que é uma ferramenta poderosíssima, mas continuará sendo impressa em papel, porque um livro é mais que um objeto de consumo, ele possui uma mística e os leitores realmente apaixonados por literatura não irão permitir que isso acabe”.

O que ela disse tem muito a ver com a famosa frase do químico francês Lavoisier: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Ou seja: o mundo vai evoluindo, novas tecnologias surgem para facilitar mais a nossa vida, mas sem necessariamente substituir o que já existe.

Pensamento parecido tem a escritora Heloisa Buarque de Hollanda. Para ela, “o livro está mais vivo do que nunca e a internet é um auxiliar fantástico nessa vitalidade”.

Aproveitando que os preços na Bienal estão em conta, Heloísa também sugeriu algumas obras.

“A arte de produzir efeito sem causa” - Lourenço Mutarelli; “Ballets” - Bruna Beber; “Rasif” - Marcelino freire, “A Literatura em Perigo” - Tzvetan Todorov e “Free” de Chris Anderson.

E a Bienal do Livro não é só venda de obras. Tem também debates interessantes com grandes nomes, como o correspondente do jornal americano "New York Times" Larry Rother e o antropólogo Roberto DaMatta, além de sessão de autógrafos com importantes escritores, como Ana Maria Machado e Ziraldo.

Uma ótima oportunidade para pôr a leitura em dia sem gastar muito!

A XIV Bienal do Livro acontece até o dia 20 de setembro. Para mais informações sobre a programação basta acessar o portal www.bienaldolivro.com.br.

domingo, 23 de agosto de 2009

O despertar da primavera

Em meio a tantos espetáculos-shows que pecam com textos fracos e óbvios, eis que surge o talvez melhor musical de todos os tempos: "O despertar da primavera", da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, em cartaz no Teatro Villa-Lobos, em Copacabana.

Escrita em 1891 pelo dramaturgo alemão Frank Wedekind, a peça trata das agruras que um grupo de adolescentes vive, da descoberta da sexualidade, do incesto, suicídio e de toda a opressão que há dentro de casa, na escola e na igreja.

No palco, 21 atores - alguns ainda entrando na adolescência - cantam e dançam como se fizessem aquilo a vida inteira. Eles se entregam de uma tal forma como se eles estivessem contando a própria história.

O que choca nessa peça não são as cenas mais picantes, em que um jovem se masturba, os protagonistas transam na floresta e dois homens se beijam, mas a maturidade e a dedicação de todo um maravilhoso elenco.

E tudo contribui para que esse musical de 120 minutos não caia nem um pouco de ritmo ou fique cansativo.

O cenário de Rogério Falcão, com tijolos para todos os lados, encurrala os atores, mostrando exatamente como um adolescente se sente. Para momentos de libertação, a floresta é o ambiente ideal. Para o desespero, o cemitério é o mais propício.

A dupla Marcelo Castro e Alonso Barros, diretor musical e coreógrafo, respectivamente, não poderia ter feito melhor. O recado deles foi bem direto: é assim que se faz um musical!

E é assim que se faz um musical mesmo! Isso que é teatro. É não se preocupar com elenco famoso, com extravagâncias, com cenas chocantes só para chamar a atenção.

Há muito tempo não via um espetáculo tão inteligente.

Parabéns à extraordinária dupla Charles Möeller e Claudio Botelhoe e à toda equipe que me fez chorar a cada número.

O DESPERTAR DA PRIMAVERA

Música de Ducan Sheik
Texto e Letras de Steven Sater
Baseado na obra de Frank Wedekind
DIREÇÃO: Charles Möeller
VERSÃO BRASILEIRA / SUPERVISÃO MUSICAL: Claudio Botelho
DIREÇÃO MUSICAL: Marcelo Castro
COREOGRAFIA: Alonso Barros
CENÁRIO: Rogério Falcão
FIGURINOS: Marcelo Pies
VISAGISMO: Beto Carramanhos
DESIGN DE LUZ: Paulo César Medeiros
DESIGN DE SOM: Marcelo Claret
COORDENAÇÃO ARTÍSTICA: Tina Salles

ELENCO:
Malu Rodrigues, Letícia Colin, Pierre Baitelli, Rodrigo Pandolfo, Thiago Amaral

APRESENTANDO
Débora Olivieri e Carlos Gregório

COM:
Alice Motta, André Loddi, Bruno Sigrist, Danilo Timm, Davi Guilhermme, Eline Porto, Estrela Blanco, Felipe de Carolis, Julia Bernat, Laura Lobo, Lua Blanco, Mariah Viamonte, Pedro Sol, Thiago Marinho

PRODUTOR EXECUTIVO: Luiz Calainho
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Aniela Jordan, Beatriz Secchin Braga, Monica Athayde Lopes
UM ESPETÁCULO DE: Charles Möeller & Claudio Botelho

SERVIÇO
‘O Despertar da Primavera’
Local: Teatro Villa-Lobos
Endereço: Av. Princesa Isabel, 440. Copacabana
Telefone: (21) 2334-7153
Temporada de 21 de agosto a 15 de novembro
Quintas e sextas, às 21h. Sábados, às 21h30. Domingos, às 18h.
Ingressos a R$ 60 (quintas e sextas); R$ 70 (domingos) e R$ 80 (sábados).
Vendas pela internet em www.ingresso.com.br
A bilheteria do teatro funciona de quarta a domingo, de 15h às 19h.
Classificação etária: 14 anos
Lotação: 463 lugares
Duração do espetáculo: 120 minutos (mais intervalo)


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Prêmio Multishow: uma vergonha para a MPB

Até que ponto é válido ouvir a opinião pública? Deparei-me com essa pergunta ao assistir o Prêmio Multishow, ocorrido na última terça, no Rio de Janeiro.

Trata-se de um evento em que o público é quem manda. Internautas espalhados por todo o país é que escolhem os indicados às inúmeras categorias da premiação. Só assim bandas inexpressivas e sem qualquer qualidade sonora, como NXZero, conseguem sonhar com um troféu. E foi exatamente isso que aconteceu.

Um dos primeiros prêmios a serem entregues foi o de Revelação. Os sortudos foram os integrantes da Banda Cine, uma mistura de Hanson com Menudos que tem, no repertório, letras como "Who o ow / Eu te completo baby / Who o ow / Vem que é certo baby". Os fãs ovacionavam os adolescentes como se o Papa estivesse na frente deles. Cena, no mínimo, banal.

E o que dizer do Fresno ganhar como melhor banda? O grupo desbancou NXZero, Jota Quest, Skank e EVA. Essa última eu nem sabia que ainda existia.

Acho interessante o canal Multishow ouvir seus telespectadores, promover um evento cujo grito de guerra era "Misture-se", mas colocar Lenine e seu Jorge para disputarem o prêmio de melhor cantor é inaceitável. E ver o primeiro desbancando o segundo é inadmissível!

E o que dizer de Ivete Sangalo fazendo de tudo para mostrar a barriga de sete meses, apagando totalmente Zeca Pagodinho?

Foi tanta cena bizarra que tirou todo o brilho da homenagem feita à Rita Lee e à Raul Seixas. Uma pena!

Por essas e outras prefiro ficar longe do Vox Populi.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Não são dois diplomas que me fazem melhor ou pior jornalista

Estou muito satisfeita por ter feito uma faculdade de jornalismo e, logo em seguida, uma pós. Gosto de estudar e tive ótimos professores. Sempre trabalhei no meio e, talvez, se eu não tivesse feito curso superior, me daria igualmente bem. Sendo assim, não foi um diploma que me fez melhor ou pior jornalista.

Muito se fala sobre o fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, mas pouco se reflete seriamente sobre o assunto. Para começar, muitos países já não exigem o canudo há muito tempo. Fora o fato de que ele, aqui no Brasil, começou a ser obrigatório no período ditatorial. Alguém aí já viu Machado de Assis e Nelson Rodrigues com diploma? Pois é...

Ontem, em um programa da MTV comandado pelo ótimo e inteligente comunicador Lobão, que nunca fez faculdade, um gaiato disse que a decisão só vai beneficiar quem trabalha nas redações sem formação e desvalorizar quem estuda direitinho. Mas de onde ele tirou isso?

Em primeiro lugar, para entrar em qualquer empresa séria o candidato passa por uma bateria de testes, mesmo com formação. Não basta chegar só com currículo. Em segundo lugar, e não menos importante, há quem passe anos dentro de uma faculdade e não aprende sequer fazer uma nota, ao contrário de muitos que começam cedo no mercado de trabalho e que sacam mais do que um graduado.

É preciso entender que as faculdades de comunicação não vão fechar. Ninguém me exigiu diploma de pós-graduação, mas eu quis fazer o curso pela bibliografia, pelo que eu ia aprender a mais. E é isso que me difere de qualquer outro candidato à mesma vaga que estou pleiteando.

Se a pessoa pretende ter carreira, trabalhar numa Folha de São Paulo, numa Globo, ela não tem que pensar que essas empresas não vão exigir diploma. Vão querer muito mais! Para elas essa decisão não vai mudar uma vírgula.

Agora, quem quiser trabalhar com fofoca, numa Caras da vida, pode se sentir satisfeito por ter apenas o ensino médio, ou nem isso.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Parabéns ao mestre Chico Buarque

Em 19 de junho de 1944 nascia no Rio um dos maiores gênios da nossa música. Quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim, Francisco Buarque de Hollanda passou décadas conquistando gerações com sua musica, sua poesia, sua literatura.

Lembrando algumas palavras do crítico literário Harold Bloom, Chico Buarque não tem rival na história da música. É um artista tão forte que suas obras alteraram os rumos e continuamos vivendo até hoje sob seu impacto. Chamá-lo de gênio, portanto, é fazer-lhe justiça.

Por isso, deixo aqui a minha singela homenagem ao grande poeta Chico Buarque de Hollanda. Chico, tudo de mais, de muito, de melhor pra você!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

“O exterminador do futuro 4: A salvação”

Quando soube que o ator Christian Bale ia fazer o Batman não recebi muito bem a informação. Embora tenha começado bem cedo no cinema, em “Império do Sol”, nunca o achei tão bom assim, ainda mais pela dicção ruim. Mas se na série do super-herói ele já havia me surpreendido, em “O exterminador do futuro 4: A salvação” ele apagou qualquer má impressão.

No melhor longa da saga, Bale é John Connor, líder da resistência humana contra a Skynet e seu exército de máquinas. Prestes a descobrir um jeito de destruir de vez os exterminadores, o herói conhece Marcus Wright (Sam Worthington), um estranho sem memória, que surgiu do nada e só lembra de ter estado no corredor da morte.

O ator, aliás, rouba todas as cenas. É a prova de que não é necessário ter um rosto famoso para que o filme dê certo. Com a chegada de Marcus, Connor precisa descobrir se ele vai mata-lo ou ajuda-lo, ainda mais quando descobre que ele, na verdade, é um robô (o que o próprio Marcus não sabia).

Mas isso não é tudo. Quem não acompanhou as outras três edições não vai ficar tão perdido. Durante o filme, Connor ouve repetidas vezes uma fita em que sua mãe, Sarah, conta mais ou menos o que está por vir, inclusive que ele encontrará seu pai,
Kyle Reese (Anton Yelchin) ainda adolescente.

Explicando assim parece meio confuso, mas não é. O roteiro é bem amarrado e as cenas são incríveis, embora tenham sido dirigidas por McG, do fraquíssimo “As panteras”. Os efeitos estão impecáveis, assim como a sonoplastia, meio “Guerra dos mundos”.

Para ninguém sentir falta de Arnold Schwarzenegger, o ator aparece no final, mas computadorizado, no corpo de Roland Kickinger. Desta vez ele tenta acabar com a vida de Bale. E quase consegue! E, se não faltou Schwarzenegger, também não faltou Guns. O clássico “You could be mine” embala uma das cenas de Connor.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Um leitor ignorante

Lendo o maravilhoso artigo de Mário Marques, no JB, em que ele fala que, após escutar Chico Buarque nos convencemos que a idiota da Mallu Magalhães e o patinho feio da Susan Boyle não são nada - o que nem precisa de muito - deparei-me com um comentário um tanto quanto bizarro.

Para espanto do próprio autor, ele recebeu um e-mail de um leitor sobre o Viradão Cultural, que a prefeitura do Rio promove esta semana.

No texto de Venâncio Amorim, do Méier, ele diz que “o mal de políticos despreparados para serem gestores da cultura como a Jandira Feghali é que eles acham que oferecer showzinho na comunidade é cultura. Acham que estão fazendo um favor, mantendo as pessoas em seus bairros. Quando quero ter acesso à cultura vou a Ipanema, a Copacabana, ao Leblon, aonde for, oras. Esse pensamento de levar 'cultura' no lugar onde as pessoas moram é de uma ignorância e de uma segregação ímpar".

Ímpar, meu caro Venâncio, é a sua burrice, que me deixa até encabulada. Estou há horas tentando achar palavras para qualificar um comentário tão infeliz.

Quando morava em Irajá reclamava muito que os melhores shows e peças teatrais aconteciam na Zona Sul e eu tinha que pegar dois ônibus para assistí-los. Fora a grana que tinha que gastar com os ingressos! E isso sem contar que, por ser mulher, não podia ir sozinha nem voltar tarde. Era um transtorno.

Agora, casada e morando na Zona Sul, posso fazer muitas coisas a pé! Ficou tudo mais fácil.

Mas não esqueço as minhas origens e me solidarizo com quem se preocupa em ouvir e assistir a coisas interessantes, diferentes. Todos temos direito de ter acesso à cultura, seja na Baixada ou em Ipanema, por um preço que condiz com nossa realidade.

Esse cidadão pode até ter rancor da nova gestão por não ter votado nela, mas criticar uma atitude como essa, de levar cultura e entretenimento a todos os cantos do Estado, de graça e a preços populares, é incompreensível. Só mostra que não são os seus vizinhos os ignorantes, mas ele mesmo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sarney recebe auxílio-moradia por um ano e diz que não sabia

O ex-presidente José Sarney disse hoje que não sabia que estava recebendo auxílio-moradia. O presidente do Senado explicou que nunca solititou o benefício, uma vez que tem casa própria em Brasília, e que, por um equívoco, em 2008, estavam depositando na conta dele a quantia de R$3.800,00.

Mas o bom samaritano garantiu que já solicitou a retirada do montante e pediu desculpas.

Pergunta que não quer calar 1: como depositam, durante um ano, uma determinada quantia na sua conta e você não tem a curiosidade de saber de que se trata?

Pergunta que não quer calar 2: Até quando esses meliantes vão continuar impunes?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Bela iniciativa

O governador do Rio, Sérgio Cabral, conclamou na tarde desta segunda que os membros do governo assumam suas orientações sexuais sem constrangimentos.
Para ele, os servidores devem seguir o "livre-arbítrio" e deixar o preconceito de lado.

"A Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Defensoria, eu conclamo a todos os membros do governo que no dia da Parada Gay se identifiquem e passeiem no desfile. O parlamentar homossexual, o jogador de futebol homossexual", disse.

Cabral completa que assumir a liberdade, o livre-arbítrio, o desejo, é uma conquista extraordinária. Nesta segunda, o governador do Rio participou da criação do Conselho dos Direitos da População LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) do Estado.
Uma pequena dúvida: podem ser membros da prefeitura também?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

X-Men Origins: Wolwerine - Dá sono de tão tosco

Como fã de X-Men fui ao cinema assistir à mais nova saga com grande espectativa, mas o filme é tão ruim que nem Hugh Jackman prendeu minha atenção.

Em X-Men Origins: Wolwerine, conhecemos a trajetória do antierói mais charmoso das telonas. Mas os efeitos são tão toscos e o roteiro é tão previsível que o sono chega antes mesmo do meio do filme.
Só para se ter uma ideia, em uma cena em que Wolwerine briga com o irmão, Victor, caem umas madeiras no chão e elas simplesmente não rolam. Logo depois, do nada, passa um caminhão, Wolwerine cai nele e o veículo continua numa boa, como se nada tivesse acontecido.
A direção é de Gavin Hood, de "O suspeito". Definitivamente ele não conseguiu dar sequencia aos trabalhos realizados por Bryan Singer, que dirigiu as duas primeiras séries, e de Matthew Vaughn, que comandou a terceira saga.

A Produtora dos filmes de X-Men, Lauren Shuler Donner, inclusive, já antecipou que quer a volta de Singer em X-Men: First Class. Pelo visto o longa tem chances de ser o próximo dos mutantes pela 20th Century Fox, antes mesmo do solo de Magneto.

A nova saga vai falar sobre os primeiros dias da equipe clássica de Xavier, da qual faziam parte Ciclope, Jean Grey, Anjo, Fera e Homem de Gelo.

Espero que Singer volte com força total, pois ele se recusou a fazer X-Men 3 - O Confronto Final pra dirigir o também chatíssimo Superman - O retorno.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Clandestinos - Uma das melhores peças em cartaz no Rio

Existe uma diferença gritante entre um diretor que não precisa fazer alarde e um que está desesperado para alcançar a fama. E isso fica muito claro quando assistimos "Clandestinos", de João Falcão.

A crítica veio tarde, uma vez que ontem foi o último dia do espetáculo no Teatro das Artes, na Gávea. Mas a peça retorna no próximo dia 17, em única apresentação, no Canecão.

No palco, um jovem diretor quer escrever uma peça sobre os diversos aspirantes a ator em busca da fama. Tem de tudo: de ex-modelo à gordinha que quer ser a mocinha da história.

Com um texto leve e sem estereótipos baratos, João Falcão critica, com muito humor e inteligência, a mídia, pseudo-artistas que se vendem a qualquer preço para aparecer, a indústria da beleza e tantos outros fatores que empobrecem, a cada dia, a arte cênica.

Os atores são todos encantadores. Parece que já estão na estrada há anos, embora nenhum ali tenha um rosto conhecido. Como se precisasse também! Há, ainda hoje, quem vá ao teatro pensando em ver um rostinho bonito e famoso, deixando em segundo plano o profissionalismo da companhia.

E um detalhe muito legal também é o fato de a maioria ali tocar um instrumento. Ou seja: além do show de interpretação, os atores surpreendem com a trilha sonora.

O cenário é impecável. Escuro, iluminado com velas para dar um charme às paredes rabiscadas de giz.

Não podia esperar menos de João Falcão, cujo currículo dispensa comentários.

"Clandestinos" volta dia 17 de maio, domingo, no Canecão. Programa imperdível.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um político está se lichando para um país que não se importa

O deputado Sérgio Moraes, relator do caso contra Edmar Moreira no Conselho de Ética, declarou nesta quarta que não vê motivos para pedir a cassação do colega e que não deve prosseguir com as investigações.

Moreira ficou conhecido por possuir um castelo avaliado em R$ 25 milhões em Minas Gerais e é suspeito de utilizar irregularmente a verba indenizatória de R$ 15 mil a que os congressistas têm direito mensalmente para segurança. Mas, na opinião do relator, se os abusos cometidos com passagens aéreas foram perdoados, o mesmo tem que acontecer com Edmar.

Questionado se não estava preocupado com a má repercussão de uma possível absolvição do investigado, Moraes respondeu que está se lixando para a opinião pública.

Primeiro ponto: é verdade que, se Edmar for cassado por usar irregularmente a verba indenizatória, que pra mim já é errada, o Congresso inteiro tem que ser. Moraes não está totalmente leviano ao querer comparar o colega com aqueles que deram passagens para sogras e amantes.

Segundo ponto: o cara ganha meu dinheiro e fala que está se lixando para a minha opinião?

O pior não é ouvir isso, mas admitir que talvez ele tenha dado essa declaração por se tocar que o público não tem opinião.

Um bloco de carnaval, no mês da folia, arrasta um milhão de pessoas pela Rio Branco. Elas pisam em urina, são esmagadas, pisoteadas, assaltadas, mas estão lá, sorrindo, embaixo de sol ou chuva, colocando pra fora toda devassidão que guardam durante todo o ano.

Agora, quando um político rouba dinheiro público, quando uma criança é arrastada por uma rua onde todas as autoridades do país sabem que é perigosa, mas nunca planta sequer uma viatura, todos sentam em frente à TV e choram. Só.

Não somos o país da piada pronta, como diz José Simão. Somos a piada! Chegamos a esse ponto porque deixamos, porque nos esquecemos do nosso passado. A juventude hoje sequer sabe o que foi a Passeata dos Cem Mil. Deve achar até que foi um bloco qualquer. Estamos hoje coniventes com tudo o que acontece numa nação que idolatra BBBs.

Uma vergonha!

domingo, 3 de maio de 2009

Algumas palavras sobre Augusto Boal

Há pessoas que, só de falar o nome, não precisam de elogios, pois torna-se até redundante. É o caso de Augusto Boal, um dos maiores homens de visão que o teatro já teve e que nos deixou neste 2 de maio cinzento.

No início da década de 50, José Renato Pécora, aluno do grande Décio de Almeida Prado, da Escola de Artes Dramáticas de São Paulo, trouxe para o Brasil as técnicas do Teatro de Arena, criadas pela americana Margot Jones.
Diferente dos palcos tradicionais, onde "você sempre tem a defesa das outras paredes", como explica o próprio, na arena só existe o ator e o público.

Era o início de uma nova era, de onde sairiam os maiores textos e nomes dos palcos brasileiros.

Alguns anos depois, sem conseguir dar conta das atividades da companhia que criara, por sugestão de Sábato Magaldi, Pécora convidou Boal para dirigir as peças com ele. Começa a melhor fase do Teatro de Arena de São Paulo.

Acompanhado por Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Sergio Britto, Milton Gonçalves, entre outros, Boal escreveu e dirigiu as maiores peças de todos os tempos. Logo após a sua chegada, Guarnieri o apresentou "Eles não usam black tie", que ficou um ano em cartaz e, tamanha era a proximidade com a história em que o país vivia, o texto permanece atual.

Depois veio a série de musicais, outras companhias se formaram, como CPC da Une, Teatro Oficina, Teatro do Oprimido... Tudo fruto do Teatro de Arena de São Paulo, sob influência de Augusto Boal.

Ele pensou, em primeiro lugar, no povo. Deu valor a textos nacionais, que falassem do e para o operário, as donas de casa, o oprimido. Levou o teatro para as cadeias de diversas partes do mundo. Foi indicado a prêmio Nobel da Paz por isso.

Era sisudo, difícil de lidar - me deu foras e foi duro - mas não abandonou suas raízes, mesmo depois da concorrência desleal da televisão.

Muitos que trabalharam com ele e que levantaram a bandeira do teatro popular hoje se esqueceram disso. Há atores e atrizes que chegaram a ser espancados no meio da rua, nus, e que hoje não fazem peça por menos de R$ 50 o ingresso e ainda aceitam papéis medíocres em novelas, que estão cada vez perdendo mais o sentido, como Marília Pêra.

Mas Boal fez história e deu valor a ela até sua morte. Espero que ele não tenha ido tão decepcionado com o teatro de hoje.

Já que muitos só dão valor quando perdem algo precioso, torço para que ele seja mais estudado e que seus ideais não morram, como os de muitos de sua época.

Palmas para o mestre.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eu, hein!

O deputado Jorge Babu criou um projeto de Lei que visa obrigar a Secretaria estadual de Saúde a divulgar lista de todas as pessoas que têm o vírus HIV.

Para ele, "o princípio da isonomia ensina que devemos tratar os iguais de forma igual e os diferentes de forma diferente". Babu acredita que profissionais envolvidos no atendimento a pessoas acidentadas possuem o direito, constitucional, de saber se estão tratando de um cidadão soropositivo".

A proposta, obviamente, causou polêmica. Mas o objetivo aqui não é nem discutir o teor do projeto pra não dar ibope. Como diz meu pai "não bata palmas para maluco". A questão é: o que uma pessoa expulsa do PT por comprovadamente participar de milícia está fazendo na Câmara, recebendo salário que sai do meu, do seu, do nosso bolso?

Como diz Ancelmo Gois: "Eu, hein!".

terça-feira, 14 de abril de 2009

Parem de falar mal da rotina

Até que enfim uma comédia inteligente

Havia tempos em que não dormia em uma peça de comédia. Às vezes tento imaginar até onde certos diretores vão chegar para atrair o público, tamanha besteira que ando vendo por aí. Acho que eles precisam é de uma aula com a talentosa Elisa Lucinda, em cartaz no teatro Sesi com a peça “Parem de falar mal da rotina”.

Antes de contar o espetáculo, é preciso falar um pouquinho sobre a carreira dessa artista. Poetisa, atriz, intelectual, simples e simpática. Uma observadora da vida, espectadora atenta a esses grandes atores que somos nós.

Logo no início de “Parem de fala mal da rotina” ela já avisa que adora escutar conversa alheia, “fofocar”. E foi daí que nasceu essa divertida comédia.

Ela não fala nada que não sabemos, nenhuma anomalia. Coisas básicas do tipo “respeitem nossas crianças”, “não sejam controlados pela moda”, “amem como se fosse o último dia de vocês”. O problema é que vivemos hoje uma vida tão mecânica que precisamos, o tempo todo, que alguém nos lembre disso, que alguém nos diga que a rotina somos nós que escolhemos.

Outro fato importantíssimo que ela leva para o palco é a importância da poesia. Ao menos no meu tempo – e duvido que ainda tenha isso hoje, eu era obrigada a simplesmente ler alguns textos. Tinha sempre uma professorinha que, como “castigo”, mandava o aluno mais preguiçoso recitar o poema em voz alta e quem pagava era mais a turma do que a suposta vítima. “As pessoas não sabem ler poesia”, grita Lucinda, com voz quase que de desespero.

E é verdade. Quem pega uma letra de música e a declama? Quem hoje pega um Neruda ou um Castro Alves e tenta entrar na mente desses dois grandes poetas, mergulhando em seus tão brilhantes versos?

A poesia agoniza à espera de alguém a sinta, não simplesmente a leia.

No palco, Elisa canta, declama, chora, briga, emociona. Ao final do espetáculo, em cartaz há 8 anos, a atriz pergunta “quem já viu essa peça mais de uma vez?”. Não são poucos que respondem “mais de 3”. Prova do sucesso absoluto.

Parem da falar mal da rotina
Teatro Sesi
Avenida Graça Aranha, 1 - Centro
Sexta, sábado e domingo, às 19h
Temporada até 31 de maio
Informações: 2563 - 4163
Classificação: 14 anos

segunda-feira, 9 de março de 2009

Atriz e modelo salva "Cachorras quentes"

Entre tantos modelos que pensam que são atores, uma se destaca por verdadeiramente trabalhar bem. Em "Cachorras quentes", de Luis Carlos Góes, a atuação de Gianne Albertoni foi a única coisa que me chamou atenção em um texto fraco e sem graça.

De acordo com o programa, a peça leva ao palco inquietações e dramas femininos, mas o que percebi foi um autor tentando fazer comédia a todo custo e, como muitos na mesma situação, carrega o texto de palavrões como se fosse a única solução para arrancar risadas. E o pior é que ainda funciona!

Mas as atrizes são boas. Além de Albertoni, Letícia Isnard também empolga. Mas só. Dirigidas por Marcus Alvisi, elas interpretam um casal de lésbicas que têm medo até da visita de um chaveiro (?), duas irmãs hipocondríacas cheias de caras e bocas e outras personagens sem sentido algum.

Serviço

Peça: "Cachorras quentes"
Local: Sala Tônia Carrero, do Teatro Leblon,
Dias e Horários: de quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h. Até 3 de maio
Endereço: Rua Conde Bernadotte, 26
Ingresso: R$ 60,00 (qui.e sex.) e R$ 70,00 (sáb.e dom.)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Se eu fosse você - 2

Provei pra mim mesma que não se deve tirar conclusões precipitadas

Nem precisava ter passado por isso pra saber, mas valeu para reforçar.

Falo isso porque fui assistir a "Se eu fosse você 2" com os dois pés atrás. Não sou fã desse tipo de filme, acho que o Brasil tem longas muito mais interessantes, fora do circuito, e comédia, pra mim, só de Woody Allen e companhia.

Pra início de conversa, qualquer filme com Tony Ramos e Glória Pires só pode dar certo. É indiscutível o talento dos dois. Vide "O primo Basílio", que não foi lá essas coisas, mas a Juliana da Glória é simplesmente impecável. Quanto ao Tony, desconheço sua carreira cinematográfica, mas, em se tratando de novela, ele está muito acima de um Lima Duarte ou um Antônio Fagundes, que lembram sempre os mesmos personagens (mas reconheço o talento de ambos, que fique claro!). Afinal, não é pra qualquer um fazer um papel feminino sem simplesmente ser uma bichona ou interpretar um homem sem virar um machão.

O roteiro de Adriana Falcão, Euclydes Marinho e Renê Belmonte não podia estar mais amarradinho. O texto flui bem e, combinando com a direção sempre impecável de Daniel Filho, não podia dar outro resultado: mais de dois milhões de espectadores em 10 dias de exibição.

Enfim, essa é a melhor versão de "Se eu fosse você". O filme está mais maduro e já pede um terceiro. Vale a pena conferir!

Completam o elenco a "Emília" Isabelle Drummond, Cássio Gabus Mendes, Vivianne Pasmanter, Marcos Paulo, Chico Anysio - sempre engraçado - Maria Luisa Mendonça, Adriane Galisteu - desnecessária - , Maria Gladys, Bernardo Mendes (fraquinho...) e Ary Fontoura.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Se for pra ganhar assim, prefiro perder

Nada de lágrimas de uma eleitora revoltada. Já estou acostumada a ver meus candidatos serem derrotados nas urnas. Mas estas eleições tiveram um gosto diferente.


Pra começar, Fernando Gabeira perdeu com uma diferença pífia de 55 mil votos - menos do que a lotação do Maracanã.

Ele não partiu para a ignorância e, mesmo sendo acusado o tempo todo por Paes de dar continuidade ao governo de Cesar Maia, que declarou apoio ao verde, não fez questão de lembrar que o peemedebista é cobra criada do Democratas e sem identidade - trocou de partido oito vezes.

E se for pra falar em más parcerias, que tal isso: a eleição de Eduardo Paes abre para Cabral a perspectiva de controle sobre Estado e Município, que juntos gastam R$ 47 bilhões por ano. É uma folha nada desprezível, de dimensão suficiente para abrigar a fatura dos acordos eleitorais, que incluem o PTB de Roberto Jefferson e o PT de Benedita da Silva. Sem comentários sobre os dois...

Cabral vai abandonar governo para ser vice de Dilma

Ainda tem o fato de que Paes, na verdade, não era apoiado por Lula. Ele é tão insignificante para o Governo Federal que demorou para deslanchar a candidatura, provocou briga interna no PMDB e só ganhou amizade do presidente, a quem chamou de ladrão por repetidas vezes, porque o petista-mor é amigo de Cabral e tem interesse de que ele se saia bem no Rio para ser vice de Dilma Rousseff em 2010. Isto é: Sergio Cabral vai abandonar o Governo para participar de campanha presidencial.

Quer dizer: Paes ganhou fazendo politicagem, trocando de partido e indo pro tudo ou nada. Gabeira praticamente empatou sendo sincero e correto.

Ainda tem um detalhe que não abordei por considerar culpa da população.

O digníssimo governador puxou o feriado pelo Dia do Servidor, que seria nesta terça, para hoje. Com isso 927.250 (ou 20,24%) dos eleitores viajaram, deixando para trás o seu dever de cidadão.
Jogada do Cabral? Sem dúvida, mas se essas pessoas se preocupassem com o futuro do Estado teriam votado independente do que o governo decretasse. Sendo assim continuo com a máxima de que cada povo tem o político que merece.

Espero que tenha sido bom para os peemedebistas. Quanto à Gabeira, esse sim saiu vitorioso e, realmente, não merecia essa máquina falida que é a prefeitura. O lugar dele é na Câmara, onde tem maior espaço e utilidade.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

País se afunda em lama por sua ignorância

Não é de hoje que dizem que o povo tem o político que merece. Caso seja verdade, não pertenço, definitivamente, a este mundo.

Vejam como o país se afunda em lama por total ignorância da sociedade, que não se preocupa em verificar o passado dos candidatos que apóiam.

Comecemos pelos municípios do Rio. Em Nova Iguaçu, pela segunda vez, o paraibano Lindberg Farias vai ocupar a prefeitura. Reeleito no primeiro turno. Maravilha! Maravilha? O lindinho aí está sob investigação, acusado pelo Ministério Público de usar a máquina pública para se manter no poder.

Há alguns meses a revista IstoÉ obteve, com exclusividade, fitas gravadas em que assessores e ex-assessores acusam o prefeito de montar um esquema que beneficia empresas que financiaram sua campanha política, paga propinas a funcionários, dá cargos e dinheiro a vereadores em troca de apoio político e conduz licitações viciadas.

Bom, mas isso é intriga da oposição. Afinal, Lindberg foi presidente da União Nacional dos Estudantes - de seriedade duvidosa - e liderou o movimento Fora Collor - também de credibilidade dúbia, mas aí é uma outra discussão.

Então vamos para Caxias. Como Zito é aclamado por aquele povo! Sagrou-se prefeito pela terceira vez! Um Cesar Maia! É, pode ser, mas a comparação não é lá tão exagerada.

Em primeiro de agosto deste ano, o Ministério Público do Rio pediu o indeferimento do registro de Zito. No pedido, a promotoria eleitoral alega que ele é réu em denúncia que tramita no Tribunal de Justiça do Rio por crime previsto na Lei de Licitações. Além disso, ele responde a 11 ações civis por improbidade administrativa.

E o que dizer da vereadora eleita Carminha Jerominho, presa por crime eleitoral? A família dela comanda milícia e promove massacre na zona Oeste do Rio, mas mesmo assim ela ficou em 23º lugar entre os mais votados.

Falta falar ainda sobre a reeleição de Núbia Cozzolino, em Magé, de Jorge Roberto Silveira, em Niterói, a volta de Severino Cavalcanti como prefeito no agreste pernambucano, apoiado por Lula... Mas só com os exemplos citados dá para perceber que o brasileiro está longe de saber votar.

E quanto ao meu candidato? Será que é um santo? Bom, para vereador eu anulo. Para prefeito voto em Gabeira com convicção. As acusações contra ele? Procurem aí, mas não vale chamá-lo de maconheiro. Nem de homossexual. Afinal, ambos estão longe de levar à prisão ou de prejudicar o Estado.