quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Prêmio Multishow: uma vergonha para a MPB

Até que ponto é válido ouvir a opinião pública? Deparei-me com essa pergunta ao assistir o Prêmio Multishow, ocorrido na última terça, no Rio de Janeiro.

Trata-se de um evento em que o público é quem manda. Internautas espalhados por todo o país é que escolhem os indicados às inúmeras categorias da premiação. Só assim bandas inexpressivas e sem qualquer qualidade sonora, como NXZero, conseguem sonhar com um troféu. E foi exatamente isso que aconteceu.

Um dos primeiros prêmios a serem entregues foi o de Revelação. Os sortudos foram os integrantes da Banda Cine, uma mistura de Hanson com Menudos que tem, no repertório, letras como "Who o ow / Eu te completo baby / Who o ow / Vem que é certo baby". Os fãs ovacionavam os adolescentes como se o Papa estivesse na frente deles. Cena, no mínimo, banal.

E o que dizer do Fresno ganhar como melhor banda? O grupo desbancou NXZero, Jota Quest, Skank e EVA. Essa última eu nem sabia que ainda existia.

Acho interessante o canal Multishow ouvir seus telespectadores, promover um evento cujo grito de guerra era "Misture-se", mas colocar Lenine e seu Jorge para disputarem o prêmio de melhor cantor é inaceitável. E ver o primeiro desbancando o segundo é inadmissível!

E o que dizer de Ivete Sangalo fazendo de tudo para mostrar a barriga de sete meses, apagando totalmente Zeca Pagodinho?

Foi tanta cena bizarra que tirou todo o brilho da homenagem feita à Rita Lee e à Raul Seixas. Uma pena!

Por essas e outras prefiro ficar longe do Vox Populi.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Não são dois diplomas que me fazem melhor ou pior jornalista

Estou muito satisfeita por ter feito uma faculdade de jornalismo e, logo em seguida, uma pós. Gosto de estudar e tive ótimos professores. Sempre trabalhei no meio e, talvez, se eu não tivesse feito curso superior, me daria igualmente bem. Sendo assim, não foi um diploma que me fez melhor ou pior jornalista.

Muito se fala sobre o fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, mas pouco se reflete seriamente sobre o assunto. Para começar, muitos países já não exigem o canudo há muito tempo. Fora o fato de que ele, aqui no Brasil, começou a ser obrigatório no período ditatorial. Alguém aí já viu Machado de Assis e Nelson Rodrigues com diploma? Pois é...

Ontem, em um programa da MTV comandado pelo ótimo e inteligente comunicador Lobão, que nunca fez faculdade, um gaiato disse que a decisão só vai beneficiar quem trabalha nas redações sem formação e desvalorizar quem estuda direitinho. Mas de onde ele tirou isso?

Em primeiro lugar, para entrar em qualquer empresa séria o candidato passa por uma bateria de testes, mesmo com formação. Não basta chegar só com currículo. Em segundo lugar, e não menos importante, há quem passe anos dentro de uma faculdade e não aprende sequer fazer uma nota, ao contrário de muitos que começam cedo no mercado de trabalho e que sacam mais do que um graduado.

É preciso entender que as faculdades de comunicação não vão fechar. Ninguém me exigiu diploma de pós-graduação, mas eu quis fazer o curso pela bibliografia, pelo que eu ia aprender a mais. E é isso que me difere de qualquer outro candidato à mesma vaga que estou pleiteando.

Se a pessoa pretende ter carreira, trabalhar numa Folha de São Paulo, numa Globo, ela não tem que pensar que essas empresas não vão exigir diploma. Vão querer muito mais! Para elas essa decisão não vai mudar uma vírgula.

Agora, quem quiser trabalhar com fofoca, numa Caras da vida, pode se sentir satisfeito por ter apenas o ensino médio, ou nem isso.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Parabéns ao mestre Chico Buarque

Em 19 de junho de 1944 nascia no Rio um dos maiores gênios da nossa música. Quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim, Francisco Buarque de Hollanda passou décadas conquistando gerações com sua musica, sua poesia, sua literatura.

Lembrando algumas palavras do crítico literário Harold Bloom, Chico Buarque não tem rival na história da música. É um artista tão forte que suas obras alteraram os rumos e continuamos vivendo até hoje sob seu impacto. Chamá-lo de gênio, portanto, é fazer-lhe justiça.

Por isso, deixo aqui a minha singela homenagem ao grande poeta Chico Buarque de Hollanda. Chico, tudo de mais, de muito, de melhor pra você!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

“O exterminador do futuro 4: A salvação”

Quando soube que o ator Christian Bale ia fazer o Batman não recebi muito bem a informação. Embora tenha começado bem cedo no cinema, em “Império do Sol”, nunca o achei tão bom assim, ainda mais pela dicção ruim. Mas se na série do super-herói ele já havia me surpreendido, em “O exterminador do futuro 4: A salvação” ele apagou qualquer má impressão.

No melhor longa da saga, Bale é John Connor, líder da resistência humana contra a Skynet e seu exército de máquinas. Prestes a descobrir um jeito de destruir de vez os exterminadores, o herói conhece Marcus Wright (Sam Worthington), um estranho sem memória, que surgiu do nada e só lembra de ter estado no corredor da morte.

O ator, aliás, rouba todas as cenas. É a prova de que não é necessário ter um rosto famoso para que o filme dê certo. Com a chegada de Marcus, Connor precisa descobrir se ele vai mata-lo ou ajuda-lo, ainda mais quando descobre que ele, na verdade, é um robô (o que o próprio Marcus não sabia).

Mas isso não é tudo. Quem não acompanhou as outras três edições não vai ficar tão perdido. Durante o filme, Connor ouve repetidas vezes uma fita em que sua mãe, Sarah, conta mais ou menos o que está por vir, inclusive que ele encontrará seu pai,
Kyle Reese (Anton Yelchin) ainda adolescente.

Explicando assim parece meio confuso, mas não é. O roteiro é bem amarrado e as cenas são incríveis, embora tenham sido dirigidas por McG, do fraquíssimo “As panteras”. Os efeitos estão impecáveis, assim como a sonoplastia, meio “Guerra dos mundos”.

Para ninguém sentir falta de Arnold Schwarzenegger, o ator aparece no final, mas computadorizado, no corpo de Roland Kickinger. Desta vez ele tenta acabar com a vida de Bale. E quase consegue! E, se não faltou Schwarzenegger, também não faltou Guns. O clássico “You could be mine” embala uma das cenas de Connor.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Um leitor ignorante

Lendo o maravilhoso artigo de Mário Marques, no JB, em que ele fala que, após escutar Chico Buarque nos convencemos que a idiota da Mallu Magalhães e o patinho feio da Susan Boyle não são nada - o que nem precisa de muito - deparei-me com um comentário um tanto quanto bizarro.

Para espanto do próprio autor, ele recebeu um e-mail de um leitor sobre o Viradão Cultural, que a prefeitura do Rio promove esta semana.

No texto de Venâncio Amorim, do Méier, ele diz que “o mal de políticos despreparados para serem gestores da cultura como a Jandira Feghali é que eles acham que oferecer showzinho na comunidade é cultura. Acham que estão fazendo um favor, mantendo as pessoas em seus bairros. Quando quero ter acesso à cultura vou a Ipanema, a Copacabana, ao Leblon, aonde for, oras. Esse pensamento de levar 'cultura' no lugar onde as pessoas moram é de uma ignorância e de uma segregação ímpar".

Ímpar, meu caro Venâncio, é a sua burrice, que me deixa até encabulada. Estou há horas tentando achar palavras para qualificar um comentário tão infeliz.

Quando morava em Irajá reclamava muito que os melhores shows e peças teatrais aconteciam na Zona Sul e eu tinha que pegar dois ônibus para assistí-los. Fora a grana que tinha que gastar com os ingressos! E isso sem contar que, por ser mulher, não podia ir sozinha nem voltar tarde. Era um transtorno.

Agora, casada e morando na Zona Sul, posso fazer muitas coisas a pé! Ficou tudo mais fácil.

Mas não esqueço as minhas origens e me solidarizo com quem se preocupa em ouvir e assistir a coisas interessantes, diferentes. Todos temos direito de ter acesso à cultura, seja na Baixada ou em Ipanema, por um preço que condiz com nossa realidade.

Esse cidadão pode até ter rancor da nova gestão por não ter votado nela, mas criticar uma atitude como essa, de levar cultura e entretenimento a todos os cantos do Estado, de graça e a preços populares, é incompreensível. Só mostra que não são os seus vizinhos os ignorantes, mas ele mesmo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sarney recebe auxílio-moradia por um ano e diz que não sabia

O ex-presidente José Sarney disse hoje que não sabia que estava recebendo auxílio-moradia. O presidente do Senado explicou que nunca solititou o benefício, uma vez que tem casa própria em Brasília, e que, por um equívoco, em 2008, estavam depositando na conta dele a quantia de R$3.800,00.

Mas o bom samaritano garantiu que já solicitou a retirada do montante e pediu desculpas.

Pergunta que não quer calar 1: como depositam, durante um ano, uma determinada quantia na sua conta e você não tem a curiosidade de saber de que se trata?

Pergunta que não quer calar 2: Até quando esses meliantes vão continuar impunes?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Bela iniciativa

O governador do Rio, Sérgio Cabral, conclamou na tarde desta segunda que os membros do governo assumam suas orientações sexuais sem constrangimentos.
Para ele, os servidores devem seguir o "livre-arbítrio" e deixar o preconceito de lado.

"A Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Defensoria, eu conclamo a todos os membros do governo que no dia da Parada Gay se identifiquem e passeiem no desfile. O parlamentar homossexual, o jogador de futebol homossexual", disse.

Cabral completa que assumir a liberdade, o livre-arbítrio, o desejo, é uma conquista extraordinária. Nesta segunda, o governador do Rio participou da criação do Conselho dos Direitos da População LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) do Estado.
Uma pequena dúvida: podem ser membros da prefeitura também?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

X-Men Origins: Wolwerine - Dá sono de tão tosco

Como fã de X-Men fui ao cinema assistir à mais nova saga com grande espectativa, mas o filme é tão ruim que nem Hugh Jackman prendeu minha atenção.

Em X-Men Origins: Wolwerine, conhecemos a trajetória do antierói mais charmoso das telonas. Mas os efeitos são tão toscos e o roteiro é tão previsível que o sono chega antes mesmo do meio do filme.
Só para se ter uma ideia, em uma cena em que Wolwerine briga com o irmão, Victor, caem umas madeiras no chão e elas simplesmente não rolam. Logo depois, do nada, passa um caminhão, Wolwerine cai nele e o veículo continua numa boa, como se nada tivesse acontecido.
A direção é de Gavin Hood, de "O suspeito". Definitivamente ele não conseguiu dar sequencia aos trabalhos realizados por Bryan Singer, que dirigiu as duas primeiras séries, e de Matthew Vaughn, que comandou a terceira saga.

A Produtora dos filmes de X-Men, Lauren Shuler Donner, inclusive, já antecipou que quer a volta de Singer em X-Men: First Class. Pelo visto o longa tem chances de ser o próximo dos mutantes pela 20th Century Fox, antes mesmo do solo de Magneto.

A nova saga vai falar sobre os primeiros dias da equipe clássica de Xavier, da qual faziam parte Ciclope, Jean Grey, Anjo, Fera e Homem de Gelo.

Espero que Singer volte com força total, pois ele se recusou a fazer X-Men 3 - O Confronto Final pra dirigir o também chatíssimo Superman - O retorno.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Clandestinos - Uma das melhores peças em cartaz no Rio

Existe uma diferença gritante entre um diretor que não precisa fazer alarde e um que está desesperado para alcançar a fama. E isso fica muito claro quando assistimos "Clandestinos", de João Falcão.

A crítica veio tarde, uma vez que ontem foi o último dia do espetáculo no Teatro das Artes, na Gávea. Mas a peça retorna no próximo dia 17, em única apresentação, no Canecão.

No palco, um jovem diretor quer escrever uma peça sobre os diversos aspirantes a ator em busca da fama. Tem de tudo: de ex-modelo à gordinha que quer ser a mocinha da história.

Com um texto leve e sem estereótipos baratos, João Falcão critica, com muito humor e inteligência, a mídia, pseudo-artistas que se vendem a qualquer preço para aparecer, a indústria da beleza e tantos outros fatores que empobrecem, a cada dia, a arte cênica.

Os atores são todos encantadores. Parece que já estão na estrada há anos, embora nenhum ali tenha um rosto conhecido. Como se precisasse também! Há, ainda hoje, quem vá ao teatro pensando em ver um rostinho bonito e famoso, deixando em segundo plano o profissionalismo da companhia.

E um detalhe muito legal também é o fato de a maioria ali tocar um instrumento. Ou seja: além do show de interpretação, os atores surpreendem com a trilha sonora.

O cenário é impecável. Escuro, iluminado com velas para dar um charme às paredes rabiscadas de giz.

Não podia esperar menos de João Falcão, cujo currículo dispensa comentários.

"Clandestinos" volta dia 17 de maio, domingo, no Canecão. Programa imperdível.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um político está se lichando para um país que não se importa

O deputado Sérgio Moraes, relator do caso contra Edmar Moreira no Conselho de Ética, declarou nesta quarta que não vê motivos para pedir a cassação do colega e que não deve prosseguir com as investigações.

Moreira ficou conhecido por possuir um castelo avaliado em R$ 25 milhões em Minas Gerais e é suspeito de utilizar irregularmente a verba indenizatória de R$ 15 mil a que os congressistas têm direito mensalmente para segurança. Mas, na opinião do relator, se os abusos cometidos com passagens aéreas foram perdoados, o mesmo tem que acontecer com Edmar.

Questionado se não estava preocupado com a má repercussão de uma possível absolvição do investigado, Moraes respondeu que está se lixando para a opinião pública.

Primeiro ponto: é verdade que, se Edmar for cassado por usar irregularmente a verba indenizatória, que pra mim já é errada, o Congresso inteiro tem que ser. Moraes não está totalmente leviano ao querer comparar o colega com aqueles que deram passagens para sogras e amantes.

Segundo ponto: o cara ganha meu dinheiro e fala que está se lixando para a minha opinião?

O pior não é ouvir isso, mas admitir que talvez ele tenha dado essa declaração por se tocar que o público não tem opinião.

Um bloco de carnaval, no mês da folia, arrasta um milhão de pessoas pela Rio Branco. Elas pisam em urina, são esmagadas, pisoteadas, assaltadas, mas estão lá, sorrindo, embaixo de sol ou chuva, colocando pra fora toda devassidão que guardam durante todo o ano.

Agora, quando um político rouba dinheiro público, quando uma criança é arrastada por uma rua onde todas as autoridades do país sabem que é perigosa, mas nunca planta sequer uma viatura, todos sentam em frente à TV e choram. Só.

Não somos o país da piada pronta, como diz José Simão. Somos a piada! Chegamos a esse ponto porque deixamos, porque nos esquecemos do nosso passado. A juventude hoje sequer sabe o que foi a Passeata dos Cem Mil. Deve achar até que foi um bloco qualquer. Estamos hoje coniventes com tudo o que acontece numa nação que idolatra BBBs.

Uma vergonha!

domingo, 3 de maio de 2009

Algumas palavras sobre Augusto Boal

Há pessoas que, só de falar o nome, não precisam de elogios, pois torna-se até redundante. É o caso de Augusto Boal, um dos maiores homens de visão que o teatro já teve e que nos deixou neste 2 de maio cinzento.

No início da década de 50, José Renato Pécora, aluno do grande Décio de Almeida Prado, da Escola de Artes Dramáticas de São Paulo, trouxe para o Brasil as técnicas do Teatro de Arena, criadas pela americana Margot Jones.
Diferente dos palcos tradicionais, onde "você sempre tem a defesa das outras paredes", como explica o próprio, na arena só existe o ator e o público.

Era o início de uma nova era, de onde sairiam os maiores textos e nomes dos palcos brasileiros.

Alguns anos depois, sem conseguir dar conta das atividades da companhia que criara, por sugestão de Sábato Magaldi, Pécora convidou Boal para dirigir as peças com ele. Começa a melhor fase do Teatro de Arena de São Paulo.

Acompanhado por Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Sergio Britto, Milton Gonçalves, entre outros, Boal escreveu e dirigiu as maiores peças de todos os tempos. Logo após a sua chegada, Guarnieri o apresentou "Eles não usam black tie", que ficou um ano em cartaz e, tamanha era a proximidade com a história em que o país vivia, o texto permanece atual.

Depois veio a série de musicais, outras companhias se formaram, como CPC da Une, Teatro Oficina, Teatro do Oprimido... Tudo fruto do Teatro de Arena de São Paulo, sob influência de Augusto Boal.

Ele pensou, em primeiro lugar, no povo. Deu valor a textos nacionais, que falassem do e para o operário, as donas de casa, o oprimido. Levou o teatro para as cadeias de diversas partes do mundo. Foi indicado a prêmio Nobel da Paz por isso.

Era sisudo, difícil de lidar - me deu foras e foi duro - mas não abandonou suas raízes, mesmo depois da concorrência desleal da televisão.

Muitos que trabalharam com ele e que levantaram a bandeira do teatro popular hoje se esqueceram disso. Há atores e atrizes que chegaram a ser espancados no meio da rua, nus, e que hoje não fazem peça por menos de R$ 50 o ingresso e ainda aceitam papéis medíocres em novelas, que estão cada vez perdendo mais o sentido, como Marília Pêra.

Mas Boal fez história e deu valor a ela até sua morte. Espero que ele não tenha ido tão decepcionado com o teatro de hoje.

Já que muitos só dão valor quando perdem algo precioso, torço para que ele seja mais estudado e que seus ideais não morram, como os de muitos de sua época.

Palmas para o mestre.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eu, hein!

O deputado Jorge Babu criou um projeto de Lei que visa obrigar a Secretaria estadual de Saúde a divulgar lista de todas as pessoas que têm o vírus HIV.

Para ele, "o princípio da isonomia ensina que devemos tratar os iguais de forma igual e os diferentes de forma diferente". Babu acredita que profissionais envolvidos no atendimento a pessoas acidentadas possuem o direito, constitucional, de saber se estão tratando de um cidadão soropositivo".

A proposta, obviamente, causou polêmica. Mas o objetivo aqui não é nem discutir o teor do projeto pra não dar ibope. Como diz meu pai "não bata palmas para maluco". A questão é: o que uma pessoa expulsa do PT por comprovadamente participar de milícia está fazendo na Câmara, recebendo salário que sai do meu, do seu, do nosso bolso?

Como diz Ancelmo Gois: "Eu, hein!".

terça-feira, 14 de abril de 2009

Parem de falar mal da rotina

Até que enfim uma comédia inteligente

Havia tempos em que não dormia em uma peça de comédia. Às vezes tento imaginar até onde certos diretores vão chegar para atrair o público, tamanha besteira que ando vendo por aí. Acho que eles precisam é de uma aula com a talentosa Elisa Lucinda, em cartaz no teatro Sesi com a peça “Parem de falar mal da rotina”.

Antes de contar o espetáculo, é preciso falar um pouquinho sobre a carreira dessa artista. Poetisa, atriz, intelectual, simples e simpática. Uma observadora da vida, espectadora atenta a esses grandes atores que somos nós.

Logo no início de “Parem de fala mal da rotina” ela já avisa que adora escutar conversa alheia, “fofocar”. E foi daí que nasceu essa divertida comédia.

Ela não fala nada que não sabemos, nenhuma anomalia. Coisas básicas do tipo “respeitem nossas crianças”, “não sejam controlados pela moda”, “amem como se fosse o último dia de vocês”. O problema é que vivemos hoje uma vida tão mecânica que precisamos, o tempo todo, que alguém nos lembre disso, que alguém nos diga que a rotina somos nós que escolhemos.

Outro fato importantíssimo que ela leva para o palco é a importância da poesia. Ao menos no meu tempo – e duvido que ainda tenha isso hoje, eu era obrigada a simplesmente ler alguns textos. Tinha sempre uma professorinha que, como “castigo”, mandava o aluno mais preguiçoso recitar o poema em voz alta e quem pagava era mais a turma do que a suposta vítima. “As pessoas não sabem ler poesia”, grita Lucinda, com voz quase que de desespero.

E é verdade. Quem pega uma letra de música e a declama? Quem hoje pega um Neruda ou um Castro Alves e tenta entrar na mente desses dois grandes poetas, mergulhando em seus tão brilhantes versos?

A poesia agoniza à espera de alguém a sinta, não simplesmente a leia.

No palco, Elisa canta, declama, chora, briga, emociona. Ao final do espetáculo, em cartaz há 8 anos, a atriz pergunta “quem já viu essa peça mais de uma vez?”. Não são poucos que respondem “mais de 3”. Prova do sucesso absoluto.

Parem da falar mal da rotina
Teatro Sesi
Avenida Graça Aranha, 1 - Centro
Sexta, sábado e domingo, às 19h
Temporada até 31 de maio
Informações: 2563 - 4163
Classificação: 14 anos

segunda-feira, 9 de março de 2009

Atriz e modelo salva "Cachorras quentes"

Entre tantos modelos que pensam que são atores, uma se destaca por verdadeiramente trabalhar bem. Em "Cachorras quentes", de Luis Carlos Góes, a atuação de Gianne Albertoni foi a única coisa que me chamou atenção em um texto fraco e sem graça.

De acordo com o programa, a peça leva ao palco inquietações e dramas femininos, mas o que percebi foi um autor tentando fazer comédia a todo custo e, como muitos na mesma situação, carrega o texto de palavrões como se fosse a única solução para arrancar risadas. E o pior é que ainda funciona!

Mas as atrizes são boas. Além de Albertoni, Letícia Isnard também empolga. Mas só. Dirigidas por Marcus Alvisi, elas interpretam um casal de lésbicas que têm medo até da visita de um chaveiro (?), duas irmãs hipocondríacas cheias de caras e bocas e outras personagens sem sentido algum.

Serviço

Peça: "Cachorras quentes"
Local: Sala Tônia Carrero, do Teatro Leblon,
Dias e Horários: de quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h. Até 3 de maio
Endereço: Rua Conde Bernadotte, 26
Ingresso: R$ 60,00 (qui.e sex.) e R$ 70,00 (sáb.e dom.)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Se eu fosse você - 2

Provei pra mim mesma que não se deve tirar conclusões precipitadas

Nem precisava ter passado por isso pra saber, mas valeu para reforçar.

Falo isso porque fui assistir a "Se eu fosse você 2" com os dois pés atrás. Não sou fã desse tipo de filme, acho que o Brasil tem longas muito mais interessantes, fora do circuito, e comédia, pra mim, só de Woody Allen e companhia.

Pra início de conversa, qualquer filme com Tony Ramos e Glória Pires só pode dar certo. É indiscutível o talento dos dois. Vide "O primo Basílio", que não foi lá essas coisas, mas a Juliana da Glória é simplesmente impecável. Quanto ao Tony, desconheço sua carreira cinematográfica, mas, em se tratando de novela, ele está muito acima de um Lima Duarte ou um Antônio Fagundes, que lembram sempre os mesmos personagens (mas reconheço o talento de ambos, que fique claro!). Afinal, não é pra qualquer um fazer um papel feminino sem simplesmente ser uma bichona ou interpretar um homem sem virar um machão.

O roteiro de Adriana Falcão, Euclydes Marinho e Renê Belmonte não podia estar mais amarradinho. O texto flui bem e, combinando com a direção sempre impecável de Daniel Filho, não podia dar outro resultado: mais de dois milhões de espectadores em 10 dias de exibição.

Enfim, essa é a melhor versão de "Se eu fosse você". O filme está mais maduro e já pede um terceiro. Vale a pena conferir!

Completam o elenco a "Emília" Isabelle Drummond, Cássio Gabus Mendes, Vivianne Pasmanter, Marcos Paulo, Chico Anysio - sempre engraçado - Maria Luisa Mendonça, Adriane Galisteu - desnecessária - , Maria Gladys, Bernardo Mendes (fraquinho...) e Ary Fontoura.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Se for pra ganhar assim, prefiro perder

Nada de lágrimas de uma eleitora revoltada. Já estou acostumada a ver meus candidatos serem derrotados nas urnas. Mas estas eleições tiveram um gosto diferente.


Pra começar, Fernando Gabeira perdeu com uma diferença pífia de 55 mil votos - menos do que a lotação do Maracanã.

Ele não partiu para a ignorância e, mesmo sendo acusado o tempo todo por Paes de dar continuidade ao governo de Cesar Maia, que declarou apoio ao verde, não fez questão de lembrar que o peemedebista é cobra criada do Democratas e sem identidade - trocou de partido oito vezes.

E se for pra falar em más parcerias, que tal isso: a eleição de Eduardo Paes abre para Cabral a perspectiva de controle sobre Estado e Município, que juntos gastam R$ 47 bilhões por ano. É uma folha nada desprezível, de dimensão suficiente para abrigar a fatura dos acordos eleitorais, que incluem o PTB de Roberto Jefferson e o PT de Benedita da Silva. Sem comentários sobre os dois...

Cabral vai abandonar governo para ser vice de Dilma

Ainda tem o fato de que Paes, na verdade, não era apoiado por Lula. Ele é tão insignificante para o Governo Federal que demorou para deslanchar a candidatura, provocou briga interna no PMDB e só ganhou amizade do presidente, a quem chamou de ladrão por repetidas vezes, porque o petista-mor é amigo de Cabral e tem interesse de que ele se saia bem no Rio para ser vice de Dilma Rousseff em 2010. Isto é: Sergio Cabral vai abandonar o Governo para participar de campanha presidencial.

Quer dizer: Paes ganhou fazendo politicagem, trocando de partido e indo pro tudo ou nada. Gabeira praticamente empatou sendo sincero e correto.

Ainda tem um detalhe que não abordei por considerar culpa da população.

O digníssimo governador puxou o feriado pelo Dia do Servidor, que seria nesta terça, para hoje. Com isso 927.250 (ou 20,24%) dos eleitores viajaram, deixando para trás o seu dever de cidadão.
Jogada do Cabral? Sem dúvida, mas se essas pessoas se preocupassem com o futuro do Estado teriam votado independente do que o governo decretasse. Sendo assim continuo com a máxima de que cada povo tem o político que merece.

Espero que tenha sido bom para os peemedebistas. Quanto à Gabeira, esse sim saiu vitorioso e, realmente, não merecia essa máquina falida que é a prefeitura. O lugar dele é na Câmara, onde tem maior espaço e utilidade.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

País se afunda em lama por sua ignorância

Não é de hoje que dizem que o povo tem o político que merece. Caso seja verdade, não pertenço, definitivamente, a este mundo.

Vejam como o país se afunda em lama por total ignorância da sociedade, que não se preocupa em verificar o passado dos candidatos que apóiam.

Comecemos pelos municípios do Rio. Em Nova Iguaçu, pela segunda vez, o paraibano Lindberg Farias vai ocupar a prefeitura. Reeleito no primeiro turno. Maravilha! Maravilha? O lindinho aí está sob investigação, acusado pelo Ministério Público de usar a máquina pública para se manter no poder.

Há alguns meses a revista IstoÉ obteve, com exclusividade, fitas gravadas em que assessores e ex-assessores acusam o prefeito de montar um esquema que beneficia empresas que financiaram sua campanha política, paga propinas a funcionários, dá cargos e dinheiro a vereadores em troca de apoio político e conduz licitações viciadas.

Bom, mas isso é intriga da oposição. Afinal, Lindberg foi presidente da União Nacional dos Estudantes - de seriedade duvidosa - e liderou o movimento Fora Collor - também de credibilidade dúbia, mas aí é uma outra discussão.

Então vamos para Caxias. Como Zito é aclamado por aquele povo! Sagrou-se prefeito pela terceira vez! Um Cesar Maia! É, pode ser, mas a comparação não é lá tão exagerada.

Em primeiro de agosto deste ano, o Ministério Público do Rio pediu o indeferimento do registro de Zito. No pedido, a promotoria eleitoral alega que ele é réu em denúncia que tramita no Tribunal de Justiça do Rio por crime previsto na Lei de Licitações. Além disso, ele responde a 11 ações civis por improbidade administrativa.

E o que dizer da vereadora eleita Carminha Jerominho, presa por crime eleitoral? A família dela comanda milícia e promove massacre na zona Oeste do Rio, mas mesmo assim ela ficou em 23º lugar entre os mais votados.

Falta falar ainda sobre a reeleição de Núbia Cozzolino, em Magé, de Jorge Roberto Silveira, em Niterói, a volta de Severino Cavalcanti como prefeito no agreste pernambucano, apoiado por Lula... Mas só com os exemplos citados dá para perceber que o brasileiro está longe de saber votar.

E quanto ao meu candidato? Será que é um santo? Bom, para vereador eu anulo. Para prefeito voto em Gabeira com convicção. As acusações contra ele? Procurem aí, mas não vale chamá-lo de maconheiro. Nem de homossexual. Afinal, ambos estão longe de levar à prisão ou de prejudicar o Estado.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Linha de Passe passou dos limites

Kaique Jesus Santos: Está nele o motivo para assistir a Linha de Passe

Falta coragem para críticos pararem de bajular filmes de diretores badalados

Existem filmes que, indiscutivelmente, só recebem elogios pelo nome de peso na direção. Às vezes o longa não tem, sequer, uma cena marcante, mas, se for desse ou daquele diretor é logo considerado um clássico. É o que acontece com Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas.

O tema mais que batido do cinema nacional trata de uma família pobre, que vive na periferia de São Paulo. Sandra Corveloni, que ganhou, recentemente um Cannes duvidoso, como melhor atriz, é Cleusa, mãe de quatro filhos de pais diferentes, à espera de um quinto.

Disse “Cannes duvidoso” porque a atriz não mostra nada de extraordinário. Sua personagem é comum, pobre, como tantas nesta terra. Precisaria de muito para desbancar atrizes como Angelina Jolie, que concorria por sua atuação no novo longa de Clint Eastwood, e Julianne Moore, protagonista de Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles. Vai entender.

João Baldasserini é Dênis, o mais velho. O jovem trabalha como motoboy, tem um filho, é mulherengo e toma uma decisão bem arriscada para tentar sustentar a família. Vinícius de Oliveira – aquele do também chato Central do Brasil – é Dario, que sonha em ser jogador de futebol e convive com o medo de passar do ponto, já que acabara de completar 18 anos.

O terceiro filho é o evangélico Dinho, interpretado por José Geraldo Rodrigues. O moço tenta bancar o certinho o filme inteiro e protagoniza a cena – única – mais impressionante do filme. O último é o sensacional Kaique Jesus Santos, na pele do divertido Reginaldo. Está nele o motivo para assistir a Linha de Passe até o fim – porque eu já queria sair no meio. O menino é bronco, implicante, engraçado, respondão, autoritário, fofo. Kaique interpretou como gente grande e fez os outros atores medianos simplesmente sumirem.

Gosto é uma coisa engraçada. Acho que sou a primeira a falar mal do novo longa dos “badaladíssimos” Walter Salles e Daniela Thomas. Talvez falte coragem a tantos outros críticos para parar de bajular grandes nomes e olhar com mais carinho a filmes B, que são feitos com muito mais dedicação, mesmo com um orçamento vergonhoso, como Estômago, de Marcos Jorge.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Uma declaração ao Rio

Foto: Claudia Ribeiro
Espetáculo reúne textos que exaltam a Cidade Maravilhosa

Até o dia 5 de outubro os moradores do Rio vão ter a oportunidade de assistir a um espetáculo que declara todo o seu amor à Cidade. Trata-se do musical Ao meu Rio – Declarações de amor: uma exaltação musical, em cartaz no Teatro Municipal Café Pequeno.

Concebida pelo diretor Antrônio De Bonis, um italiano de nascimento e carioca de espírito, como ele mesmo se define, a peça é encenada por três talentosos atores-cantores (Andrea Veiga, Renato Rabelo e Stella Maria Rodrigues), que propõem aos espectadores um mergulho sobre o encantamento carioca feito de marchinhas, samba, maxixe, modinha, seresta, chorinho, pagode, gingado, bossa nova, do sol e do verão, salpicado de belezas femininas... e masculinas.

Enriquecem o repertório clássicos como Ela é carioca, da dupla Tom e Vinícius, Menino do Rio, de Caetano Veloso, O Carioca, de Jair Rodrigues e A Voz do Morro, de Zé Keti.

"A escolha do repertório foi bem complicada. Eu me deparei com um material imenso e nem sabia que tinham escrito tantas coisas legais que falam sobre a cidade", explica De Bonis.

O diretor afirma que a peça não tem nada de crítica. Para ele, os problemas pelos quais a Cidade passa são mostrados todos os dias nos noticiários. A idéia dele é justamente o contrário. A peça se deu por uma vontade de despertar uma paixão no público por uma Cidade tão linda como o Rio.

"Eu caminho todos os dias na praia e sempre fico deslumbrado com a beleza dessa Cidade e fico muito preocupado com a destruição dela. Então, em vez de fazer um musical chamando atenção para os problemas que ela tem, eu preferi fazer um musical sobre as belezas que ela possui", conta.

Como já dizia o maestro Antônio Carlos Brasileiro Jobim, "eu não moro no Rio, eu namoro o Rio". E é justamente este sentimento que Ao meu Rio pretende despertar nas pessoas: o orgulho de ser carioca, mesmo não tendo nascido aqui.

"Cada dia que eu saía do ensaio eu olhava a Cidade diferente e é isso que eu espero causar nas pessoas", conta De Bonis, entusiasmado.

No final do espetáculo, o público poderá ainda emergir de uma viagem para uma Cidade encantada que, se não está todo o tempo à mostra no dia-a-dia, permanece impávida e envolta em mágica no repertório de canções e poemas.

Serviço: Ao meu Rio – Declarações de amor: uma exaltação musical
Local: Teatro Municipal Café Pequeno
Endereço: Av. Ataulfo de Paiva 269 - Leblon
Dias: Até 05 de outubro
Horários: Quintas, Sextas e Sábados, às 21h, e Domingo, às 20h
Preço: Quinta (R$30,00), Sexta, sábado e domingo (R$40,00) - meia entrada para estudantes e idosos.
Duração: 90min
Classificação etária: 18 anos
Horário de funcionamento da bilheteria: Terça a Sábado, das 15 às 21h. Domingo, das 15 às 20h

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Lobão sofre de uma doença muito séria

Cantor tem "inveja corrosiva" incurável

Em entrevista ao Jornal do Brasil, nesta terça, o cantor Lobão declarou que "a bossa nova não passa de uma punheta que se toca de pau mole". Em outro trecho, disse ainda que o estilo musical mais reverenciado no mundo é "uma língua morta, assim como essas bandas de choro e samba, que ficam tocando naquele lugar sujo que é a Lapa".

Mas quem é esse cantor que nunca representou nada na música brasileira para falar de um estilo criado por monstros sagrados como Roberto Menescal, Johnny Alf, Carlos Lyra, Lenny Andrade e companhia? Quem é esse cidadão de voz e comportamento ridículos, metido a revolucionário que faz acústico na MTV, o maior canal jabazeiro de música do mundo? Quem é ele para desmerecer quem cantou a beleza do Rio, do mar, o amor, quem criou a batida mais tocada no mundo e mudou até mesmo o estilo de tocar um violão?

Lobão sofre de algo gravíssimo chamado "inveja corrosiva". Nunca foi lembrado em prêmios, jamais recebeu qualquer tipo de homenagem sequer teve inúmeras músicas regravadas. Como se isso bastasse para ser considerado um bom músico.

Infelizmente muitos artistas de imensurável talento são esquecidos mesmo. O próprio Johnny Alf, um exemplar compositor, pianista e cantor, ponto referencial da Bossa Nova, mais até do que João Gilberto, é pouco conhecido da geração nascida nos anos 60, sequer teve tanta repercussão como o artista de Juazeiro.

Mas quem se interessa pela cultura nacional certamente conhece e reconhece o talento do autor de "Rapaz de bem", "Céu e Mar", "Ilusão A Toa" e "Eu e a Brisa".

Quanto ao desdém pelas bandas que tocam na Lapa, o lugar mais democrático do Rio de Janeiro, onde tribos de todas as classes e credos se encontram sem qualquer tipo de rixa, é de dar pena.

Nunca se viu tantos jovens com sambas de raiz na ponta da língua devido a essas tais bandas de choro e samba que tocam por aí. A quem ele se refere? A bandas como Casuarina, Galocantô, Anjos da Lua e Batuque na Cozinha, que promovem, pelo menos duas vezes por ano, o projeto "Samba em Quatro Tempos", que faz uma viagem pela música desde "Pelo Telefone", de Donga, até os dias de hoje, com casa cheia garantida?

Bandas como Grupo Semente e Samba de Fato, que resgatam clássicos da MPB, como Candeia e Mauro Duarte? E o que ele diria de cinco mil pessoas lotando a Fundição Progresso, numa segunda e numa terça, para a gravação do CD Samba Social Clube, considerada a maior festa do samba dos últimos tempos?

Realmente, ele está certo e cinco mil estão alienados.

Não sei se lamento mais por ele ou por um jornal de tanta respeitabilidade e aceitação como o JB, que dá ibope para um cara como Lobão. Aliás, que apelido mais cafona. Enfim...