domingo, 3 de maio de 2009

Algumas palavras sobre Augusto Boal

Há pessoas que, só de falar o nome, não precisam de elogios, pois torna-se até redundante. É o caso de Augusto Boal, um dos maiores homens de visão que o teatro já teve e que nos deixou neste 2 de maio cinzento.

No início da década de 50, José Renato Pécora, aluno do grande Décio de Almeida Prado, da Escola de Artes Dramáticas de São Paulo, trouxe para o Brasil as técnicas do Teatro de Arena, criadas pela americana Margot Jones.
Diferente dos palcos tradicionais, onde "você sempre tem a defesa das outras paredes", como explica o próprio, na arena só existe o ator e o público.

Era o início de uma nova era, de onde sairiam os maiores textos e nomes dos palcos brasileiros.

Alguns anos depois, sem conseguir dar conta das atividades da companhia que criara, por sugestão de Sábato Magaldi, Pécora convidou Boal para dirigir as peças com ele. Começa a melhor fase do Teatro de Arena de São Paulo.

Acompanhado por Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Sergio Britto, Milton Gonçalves, entre outros, Boal escreveu e dirigiu as maiores peças de todos os tempos. Logo após a sua chegada, Guarnieri o apresentou "Eles não usam black tie", que ficou um ano em cartaz e, tamanha era a proximidade com a história em que o país vivia, o texto permanece atual.

Depois veio a série de musicais, outras companhias se formaram, como CPC da Une, Teatro Oficina, Teatro do Oprimido... Tudo fruto do Teatro de Arena de São Paulo, sob influência de Augusto Boal.

Ele pensou, em primeiro lugar, no povo. Deu valor a textos nacionais, que falassem do e para o operário, as donas de casa, o oprimido. Levou o teatro para as cadeias de diversas partes do mundo. Foi indicado a prêmio Nobel da Paz por isso.

Era sisudo, difícil de lidar - me deu foras e foi duro - mas não abandonou suas raízes, mesmo depois da concorrência desleal da televisão.

Muitos que trabalharam com ele e que levantaram a bandeira do teatro popular hoje se esqueceram disso. Há atores e atrizes que chegaram a ser espancados no meio da rua, nus, e que hoje não fazem peça por menos de R$ 50 o ingresso e ainda aceitam papéis medíocres em novelas, que estão cada vez perdendo mais o sentido, como Marília Pêra.

Mas Boal fez história e deu valor a ela até sua morte. Espero que ele não tenha ido tão decepcionado com o teatro de hoje.

Já que muitos só dão valor quando perdem algo precioso, torço para que ele seja mais estudado e que seus ideais não morram, como os de muitos de sua época.

Palmas para o mestre.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eu, hein!

O deputado Jorge Babu criou um projeto de Lei que visa obrigar a Secretaria estadual de Saúde a divulgar lista de todas as pessoas que têm o vírus HIV.

Para ele, "o princípio da isonomia ensina que devemos tratar os iguais de forma igual e os diferentes de forma diferente". Babu acredita que profissionais envolvidos no atendimento a pessoas acidentadas possuem o direito, constitucional, de saber se estão tratando de um cidadão soropositivo".

A proposta, obviamente, causou polêmica. Mas o objetivo aqui não é nem discutir o teor do projeto pra não dar ibope. Como diz meu pai "não bata palmas para maluco". A questão é: o que uma pessoa expulsa do PT por comprovadamente participar de milícia está fazendo na Câmara, recebendo salário que sai do meu, do seu, do nosso bolso?

Como diz Ancelmo Gois: "Eu, hein!".

terça-feira, 14 de abril de 2009

Parem de falar mal da rotina

Até que enfim uma comédia inteligente

Havia tempos em que não dormia em uma peça de comédia. Às vezes tento imaginar até onde certos diretores vão chegar para atrair o público, tamanha besteira que ando vendo por aí. Acho que eles precisam é de uma aula com a talentosa Elisa Lucinda, em cartaz no teatro Sesi com a peça “Parem de falar mal da rotina”.

Antes de contar o espetáculo, é preciso falar um pouquinho sobre a carreira dessa artista. Poetisa, atriz, intelectual, simples e simpática. Uma observadora da vida, espectadora atenta a esses grandes atores que somos nós.

Logo no início de “Parem de fala mal da rotina” ela já avisa que adora escutar conversa alheia, “fofocar”. E foi daí que nasceu essa divertida comédia.

Ela não fala nada que não sabemos, nenhuma anomalia. Coisas básicas do tipo “respeitem nossas crianças”, “não sejam controlados pela moda”, “amem como se fosse o último dia de vocês”. O problema é que vivemos hoje uma vida tão mecânica que precisamos, o tempo todo, que alguém nos lembre disso, que alguém nos diga que a rotina somos nós que escolhemos.

Outro fato importantíssimo que ela leva para o palco é a importância da poesia. Ao menos no meu tempo – e duvido que ainda tenha isso hoje, eu era obrigada a simplesmente ler alguns textos. Tinha sempre uma professorinha que, como “castigo”, mandava o aluno mais preguiçoso recitar o poema em voz alta e quem pagava era mais a turma do que a suposta vítima. “As pessoas não sabem ler poesia”, grita Lucinda, com voz quase que de desespero.

E é verdade. Quem pega uma letra de música e a declama? Quem hoje pega um Neruda ou um Castro Alves e tenta entrar na mente desses dois grandes poetas, mergulhando em seus tão brilhantes versos?

A poesia agoniza à espera de alguém a sinta, não simplesmente a leia.

No palco, Elisa canta, declama, chora, briga, emociona. Ao final do espetáculo, em cartaz há 8 anos, a atriz pergunta “quem já viu essa peça mais de uma vez?”. Não são poucos que respondem “mais de 3”. Prova do sucesso absoluto.

Parem da falar mal da rotina
Teatro Sesi
Avenida Graça Aranha, 1 - Centro
Sexta, sábado e domingo, às 19h
Temporada até 31 de maio
Informações: 2563 - 4163
Classificação: 14 anos

segunda-feira, 9 de março de 2009

Atriz e modelo salva "Cachorras quentes"

Entre tantos modelos que pensam que são atores, uma se destaca por verdadeiramente trabalhar bem. Em "Cachorras quentes", de Luis Carlos Góes, a atuação de Gianne Albertoni foi a única coisa que me chamou atenção em um texto fraco e sem graça.

De acordo com o programa, a peça leva ao palco inquietações e dramas femininos, mas o que percebi foi um autor tentando fazer comédia a todo custo e, como muitos na mesma situação, carrega o texto de palavrões como se fosse a única solução para arrancar risadas. E o pior é que ainda funciona!

Mas as atrizes são boas. Além de Albertoni, Letícia Isnard também empolga. Mas só. Dirigidas por Marcus Alvisi, elas interpretam um casal de lésbicas que têm medo até da visita de um chaveiro (?), duas irmãs hipocondríacas cheias de caras e bocas e outras personagens sem sentido algum.

Serviço

Peça: "Cachorras quentes"
Local: Sala Tônia Carrero, do Teatro Leblon,
Dias e Horários: de quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h. Até 3 de maio
Endereço: Rua Conde Bernadotte, 26
Ingresso: R$ 60,00 (qui.e sex.) e R$ 70,00 (sáb.e dom.)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Se eu fosse você - 2

Provei pra mim mesma que não se deve tirar conclusões precipitadas

Nem precisava ter passado por isso pra saber, mas valeu para reforçar.

Falo isso porque fui assistir a "Se eu fosse você 2" com os dois pés atrás. Não sou fã desse tipo de filme, acho que o Brasil tem longas muito mais interessantes, fora do circuito, e comédia, pra mim, só de Woody Allen e companhia.

Pra início de conversa, qualquer filme com Tony Ramos e Glória Pires só pode dar certo. É indiscutível o talento dos dois. Vide "O primo Basílio", que não foi lá essas coisas, mas a Juliana da Glória é simplesmente impecável. Quanto ao Tony, desconheço sua carreira cinematográfica, mas, em se tratando de novela, ele está muito acima de um Lima Duarte ou um Antônio Fagundes, que lembram sempre os mesmos personagens (mas reconheço o talento de ambos, que fique claro!). Afinal, não é pra qualquer um fazer um papel feminino sem simplesmente ser uma bichona ou interpretar um homem sem virar um machão.

O roteiro de Adriana Falcão, Euclydes Marinho e Renê Belmonte não podia estar mais amarradinho. O texto flui bem e, combinando com a direção sempre impecável de Daniel Filho, não podia dar outro resultado: mais de dois milhões de espectadores em 10 dias de exibição.

Enfim, essa é a melhor versão de "Se eu fosse você". O filme está mais maduro e já pede um terceiro. Vale a pena conferir!

Completam o elenco a "Emília" Isabelle Drummond, Cássio Gabus Mendes, Vivianne Pasmanter, Marcos Paulo, Chico Anysio - sempre engraçado - Maria Luisa Mendonça, Adriane Galisteu - desnecessária - , Maria Gladys, Bernardo Mendes (fraquinho...) e Ary Fontoura.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Se for pra ganhar assim, prefiro perder

Nada de lágrimas de uma eleitora revoltada. Já estou acostumada a ver meus candidatos serem derrotados nas urnas. Mas estas eleições tiveram um gosto diferente.


Pra começar, Fernando Gabeira perdeu com uma diferença pífia de 55 mil votos - menos do que a lotação do Maracanã.

Ele não partiu para a ignorância e, mesmo sendo acusado o tempo todo por Paes de dar continuidade ao governo de Cesar Maia, que declarou apoio ao verde, não fez questão de lembrar que o peemedebista é cobra criada do Democratas e sem identidade - trocou de partido oito vezes.

E se for pra falar em más parcerias, que tal isso: a eleição de Eduardo Paes abre para Cabral a perspectiva de controle sobre Estado e Município, que juntos gastam R$ 47 bilhões por ano. É uma folha nada desprezível, de dimensão suficiente para abrigar a fatura dos acordos eleitorais, que incluem o PTB de Roberto Jefferson e o PT de Benedita da Silva. Sem comentários sobre os dois...

Cabral vai abandonar governo para ser vice de Dilma

Ainda tem o fato de que Paes, na verdade, não era apoiado por Lula. Ele é tão insignificante para o Governo Federal que demorou para deslanchar a candidatura, provocou briga interna no PMDB e só ganhou amizade do presidente, a quem chamou de ladrão por repetidas vezes, porque o petista-mor é amigo de Cabral e tem interesse de que ele se saia bem no Rio para ser vice de Dilma Rousseff em 2010. Isto é: Sergio Cabral vai abandonar o Governo para participar de campanha presidencial.

Quer dizer: Paes ganhou fazendo politicagem, trocando de partido e indo pro tudo ou nada. Gabeira praticamente empatou sendo sincero e correto.

Ainda tem um detalhe que não abordei por considerar culpa da população.

O digníssimo governador puxou o feriado pelo Dia do Servidor, que seria nesta terça, para hoje. Com isso 927.250 (ou 20,24%) dos eleitores viajaram, deixando para trás o seu dever de cidadão.
Jogada do Cabral? Sem dúvida, mas se essas pessoas se preocupassem com o futuro do Estado teriam votado independente do que o governo decretasse. Sendo assim continuo com a máxima de que cada povo tem o político que merece.

Espero que tenha sido bom para os peemedebistas. Quanto à Gabeira, esse sim saiu vitorioso e, realmente, não merecia essa máquina falida que é a prefeitura. O lugar dele é na Câmara, onde tem maior espaço e utilidade.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

País se afunda em lama por sua ignorância

Não é de hoje que dizem que o povo tem o político que merece. Caso seja verdade, não pertenço, definitivamente, a este mundo.

Vejam como o país se afunda em lama por total ignorância da sociedade, que não se preocupa em verificar o passado dos candidatos que apóiam.

Comecemos pelos municípios do Rio. Em Nova Iguaçu, pela segunda vez, o paraibano Lindberg Farias vai ocupar a prefeitura. Reeleito no primeiro turno. Maravilha! Maravilha? O lindinho aí está sob investigação, acusado pelo Ministério Público de usar a máquina pública para se manter no poder.

Há alguns meses a revista IstoÉ obteve, com exclusividade, fitas gravadas em que assessores e ex-assessores acusam o prefeito de montar um esquema que beneficia empresas que financiaram sua campanha política, paga propinas a funcionários, dá cargos e dinheiro a vereadores em troca de apoio político e conduz licitações viciadas.

Bom, mas isso é intriga da oposição. Afinal, Lindberg foi presidente da União Nacional dos Estudantes - de seriedade duvidosa - e liderou o movimento Fora Collor - também de credibilidade dúbia, mas aí é uma outra discussão.

Então vamos para Caxias. Como Zito é aclamado por aquele povo! Sagrou-se prefeito pela terceira vez! Um Cesar Maia! É, pode ser, mas a comparação não é lá tão exagerada.

Em primeiro de agosto deste ano, o Ministério Público do Rio pediu o indeferimento do registro de Zito. No pedido, a promotoria eleitoral alega que ele é réu em denúncia que tramita no Tribunal de Justiça do Rio por crime previsto na Lei de Licitações. Além disso, ele responde a 11 ações civis por improbidade administrativa.

E o que dizer da vereadora eleita Carminha Jerominho, presa por crime eleitoral? A família dela comanda milícia e promove massacre na zona Oeste do Rio, mas mesmo assim ela ficou em 23º lugar entre os mais votados.

Falta falar ainda sobre a reeleição de Núbia Cozzolino, em Magé, de Jorge Roberto Silveira, em Niterói, a volta de Severino Cavalcanti como prefeito no agreste pernambucano, apoiado por Lula... Mas só com os exemplos citados dá para perceber que o brasileiro está longe de saber votar.

E quanto ao meu candidato? Será que é um santo? Bom, para vereador eu anulo. Para prefeito voto em Gabeira com convicção. As acusações contra ele? Procurem aí, mas não vale chamá-lo de maconheiro. Nem de homossexual. Afinal, ambos estão longe de levar à prisão ou de prejudicar o Estado.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Linha de Passe passou dos limites

Kaique Jesus Santos: Está nele o motivo para assistir a Linha de Passe

Falta coragem para críticos pararem de bajular filmes de diretores badalados

Existem filmes que, indiscutivelmente, só recebem elogios pelo nome de peso na direção. Às vezes o longa não tem, sequer, uma cena marcante, mas, se for desse ou daquele diretor é logo considerado um clássico. É o que acontece com Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas.

O tema mais que batido do cinema nacional trata de uma família pobre, que vive na periferia de São Paulo. Sandra Corveloni, que ganhou, recentemente um Cannes duvidoso, como melhor atriz, é Cleusa, mãe de quatro filhos de pais diferentes, à espera de um quinto.

Disse “Cannes duvidoso” porque a atriz não mostra nada de extraordinário. Sua personagem é comum, pobre, como tantas nesta terra. Precisaria de muito para desbancar atrizes como Angelina Jolie, que concorria por sua atuação no novo longa de Clint Eastwood, e Julianne Moore, protagonista de Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles. Vai entender.

João Baldasserini é Dênis, o mais velho. O jovem trabalha como motoboy, tem um filho, é mulherengo e toma uma decisão bem arriscada para tentar sustentar a família. Vinícius de Oliveira – aquele do também chato Central do Brasil – é Dario, que sonha em ser jogador de futebol e convive com o medo de passar do ponto, já que acabara de completar 18 anos.

O terceiro filho é o evangélico Dinho, interpretado por José Geraldo Rodrigues. O moço tenta bancar o certinho o filme inteiro e protagoniza a cena – única – mais impressionante do filme. O último é o sensacional Kaique Jesus Santos, na pele do divertido Reginaldo. Está nele o motivo para assistir a Linha de Passe até o fim – porque eu já queria sair no meio. O menino é bronco, implicante, engraçado, respondão, autoritário, fofo. Kaique interpretou como gente grande e fez os outros atores medianos simplesmente sumirem.

Gosto é uma coisa engraçada. Acho que sou a primeira a falar mal do novo longa dos “badaladíssimos” Walter Salles e Daniela Thomas. Talvez falte coragem a tantos outros críticos para parar de bajular grandes nomes e olhar com mais carinho a filmes B, que são feitos com muito mais dedicação, mesmo com um orçamento vergonhoso, como Estômago, de Marcos Jorge.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Uma declaração ao Rio

Foto: Claudia Ribeiro
Espetáculo reúne textos que exaltam a Cidade Maravilhosa

Até o dia 5 de outubro os moradores do Rio vão ter a oportunidade de assistir a um espetáculo que declara todo o seu amor à Cidade. Trata-se do musical Ao meu Rio – Declarações de amor: uma exaltação musical, em cartaz no Teatro Municipal Café Pequeno.

Concebida pelo diretor Antrônio De Bonis, um italiano de nascimento e carioca de espírito, como ele mesmo se define, a peça é encenada por três talentosos atores-cantores (Andrea Veiga, Renato Rabelo e Stella Maria Rodrigues), que propõem aos espectadores um mergulho sobre o encantamento carioca feito de marchinhas, samba, maxixe, modinha, seresta, chorinho, pagode, gingado, bossa nova, do sol e do verão, salpicado de belezas femininas... e masculinas.

Enriquecem o repertório clássicos como Ela é carioca, da dupla Tom e Vinícius, Menino do Rio, de Caetano Veloso, O Carioca, de Jair Rodrigues e A Voz do Morro, de Zé Keti.

"A escolha do repertório foi bem complicada. Eu me deparei com um material imenso e nem sabia que tinham escrito tantas coisas legais que falam sobre a cidade", explica De Bonis.

O diretor afirma que a peça não tem nada de crítica. Para ele, os problemas pelos quais a Cidade passa são mostrados todos os dias nos noticiários. A idéia dele é justamente o contrário. A peça se deu por uma vontade de despertar uma paixão no público por uma Cidade tão linda como o Rio.

"Eu caminho todos os dias na praia e sempre fico deslumbrado com a beleza dessa Cidade e fico muito preocupado com a destruição dela. Então, em vez de fazer um musical chamando atenção para os problemas que ela tem, eu preferi fazer um musical sobre as belezas que ela possui", conta.

Como já dizia o maestro Antônio Carlos Brasileiro Jobim, "eu não moro no Rio, eu namoro o Rio". E é justamente este sentimento que Ao meu Rio pretende despertar nas pessoas: o orgulho de ser carioca, mesmo não tendo nascido aqui.

"Cada dia que eu saía do ensaio eu olhava a Cidade diferente e é isso que eu espero causar nas pessoas", conta De Bonis, entusiasmado.

No final do espetáculo, o público poderá ainda emergir de uma viagem para uma Cidade encantada que, se não está todo o tempo à mostra no dia-a-dia, permanece impávida e envolta em mágica no repertório de canções e poemas.

Serviço: Ao meu Rio – Declarações de amor: uma exaltação musical
Local: Teatro Municipal Café Pequeno
Endereço: Av. Ataulfo de Paiva 269 - Leblon
Dias: Até 05 de outubro
Horários: Quintas, Sextas e Sábados, às 21h, e Domingo, às 20h
Preço: Quinta (R$30,00), Sexta, sábado e domingo (R$40,00) - meia entrada para estudantes e idosos.
Duração: 90min
Classificação etária: 18 anos
Horário de funcionamento da bilheteria: Terça a Sábado, das 15 às 21h. Domingo, das 15 às 20h

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Lobão sofre de uma doença muito séria

Cantor tem "inveja corrosiva" incurável

Em entrevista ao Jornal do Brasil, nesta terça, o cantor Lobão declarou que "a bossa nova não passa de uma punheta que se toca de pau mole". Em outro trecho, disse ainda que o estilo musical mais reverenciado no mundo é "uma língua morta, assim como essas bandas de choro e samba, que ficam tocando naquele lugar sujo que é a Lapa".

Mas quem é esse cantor que nunca representou nada na música brasileira para falar de um estilo criado por monstros sagrados como Roberto Menescal, Johnny Alf, Carlos Lyra, Lenny Andrade e companhia? Quem é esse cidadão de voz e comportamento ridículos, metido a revolucionário que faz acústico na MTV, o maior canal jabazeiro de música do mundo? Quem é ele para desmerecer quem cantou a beleza do Rio, do mar, o amor, quem criou a batida mais tocada no mundo e mudou até mesmo o estilo de tocar um violão?

Lobão sofre de algo gravíssimo chamado "inveja corrosiva". Nunca foi lembrado em prêmios, jamais recebeu qualquer tipo de homenagem sequer teve inúmeras músicas regravadas. Como se isso bastasse para ser considerado um bom músico.

Infelizmente muitos artistas de imensurável talento são esquecidos mesmo. O próprio Johnny Alf, um exemplar compositor, pianista e cantor, ponto referencial da Bossa Nova, mais até do que João Gilberto, é pouco conhecido da geração nascida nos anos 60, sequer teve tanta repercussão como o artista de Juazeiro.

Mas quem se interessa pela cultura nacional certamente conhece e reconhece o talento do autor de "Rapaz de bem", "Céu e Mar", "Ilusão A Toa" e "Eu e a Brisa".

Quanto ao desdém pelas bandas que tocam na Lapa, o lugar mais democrático do Rio de Janeiro, onde tribos de todas as classes e credos se encontram sem qualquer tipo de rixa, é de dar pena.

Nunca se viu tantos jovens com sambas de raiz na ponta da língua devido a essas tais bandas de choro e samba que tocam por aí. A quem ele se refere? A bandas como Casuarina, Galocantô, Anjos da Lua e Batuque na Cozinha, que promovem, pelo menos duas vezes por ano, o projeto "Samba em Quatro Tempos", que faz uma viagem pela música desde "Pelo Telefone", de Donga, até os dias de hoje, com casa cheia garantida?

Bandas como Grupo Semente e Samba de Fato, que resgatam clássicos da MPB, como Candeia e Mauro Duarte? E o que ele diria de cinco mil pessoas lotando a Fundição Progresso, numa segunda e numa terça, para a gravação do CD Samba Social Clube, considerada a maior festa do samba dos últimos tempos?

Realmente, ele está certo e cinco mil estão alienados.

Não sei se lamento mais por ele ou por um jornal de tanta respeitabilidade e aceitação como o JB, que dá ibope para um cara como Lobão. Aliás, que apelido mais cafona. Enfim...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Filme: Onde Andará Dulce Veiga

Existem filmes que, embora você ache fantásticos, de cara percebe que não vão colar. E esse, infelizmente, é o caso de Onde Andará Dulce Veiga, do diretor Guilherme de Almeida Prado, feito a partir da adaptação do livro homônimo do jornalista Caio Fernando Abreu.

Eriberto Leão é Caio, um escritor que trabalha na redação de um jornal popular. Ele tem que fazer uma crítica positiva de uma banda chamada "Vaginas Dentadas", mas, pelo nome, percebe que será uma difícil missão.

Ao chegar no ensaio, o jornalista se depara com um som familiar: a vocalista, Márcia Felácio (Carolina Dieckmann) canta uma música de sua maior paixão, Dulce Veiga (Maitê Proença), cantora e atriz desaparecida há 20 anos.

Para sua surpresa, a rebelde moça é filha de Dulce. Caio resolve então escrever uma crônica sobre o paradeiro da artista e ganha de seu chefe a missão de encontrá-la. A partir daí a história toma um rumo à la David Lynch, onde drogas, homossexualismo e algumas pitadas de surrealismo se entrelaçam, como nos filmes do diretor do nonsense "Cidade dos Sonhos".

A linguagem é bem interessante. Ela não é linear e o filme tem bastantes quebras. Uma hora ele está lá na frente e depois volta. E Guilherme repete bem algumas cenas, como um ator tentando encontrar a tonalidade certa para determinado texto. No caso, é a mente de Caio imaginando como o real pode se encaixar em seus contos.

Este, sem dúvida, foi o melhor trabalho de Carolina Dieckmann. A moça ficou nua, cantou, fumou maconha (alface, na verdade) e deu um show de interpretação. Ao contrário de Maitê Proença, que é apenas um rosto bonito nas telas. Eriberto Leão também esteve ótimo na pele de Caio.

A trilha sonora de Hermelino Neder e Newton Carneiro traz o melhor da Bossa Nova. As cores de Adrian Teijido e os efeitos de Marcelo Siqueira são de muito bom gosto.

É uma pena que um filme completo como este não cole por aqui. Ele recebeu muitas críticas no Festival do Rio e já coleciona algumas agora, na sua estréia.

O fato é que não fomos acostumados ao bom cinema, a um trabalho mais alternativo. Somos bombardeados por filmes comerciais, de historinhas fáceis de entender, cheios de efeitos para preencher a falta que faz um texto inteligente, como o de Onde andará Dulce Veiga.

Mas, para quem procura diversificar, garanto uma boa sessão.

Onde Andará Dulce Veiga?
(Brasil / Chile, 135 min, 2007)

Direção, Roteiro e Montagem : Guilherme de Almeida Prado
Produção: Assunção Hernandes
Elenco: Carolina Dieckmann, Eriberto Leão, Maitê Proença, Christiane Torloni, Carmo Della Vechia, Cacá Rosset, Oscar Magrini, Julia Lemmertz, Imara Reis, Matilde Mastrangi, Nuno Leal Maia, Maíra Chasseroux
Fotografia: Adrian Teijido
Som Direto: Sílvio Da-Rin
Produtor Executivo: Fernando Andrade
Produção de Lançamento: Rafael Franco
Diretor de Produção: Farid Tavares
Diretor de Arte: Luís Rossi
Efeitos Especiais: Marcelo Siqueira,
ABC Figurinista: Fábio Namatame
Cenografia: Heron Medeiros
Trilha Sonora: Hermelino Neder e Newton Carneiro
Produção de Elenco: Vivian Golombek e Renata Kalman
Produção: Star / Raiz Distribuição: Califórnia Filmes.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O rei da marchinha reúne sua obra em livro

Há 50 anos o compositor, pianista, produtor e apresentador de shows, programas de rádio e televisão João Roberto Kelly começara a traçar uma história de amor ao carnaval, contada agora no recém-lançado “A Obra de João Roberto Kelly – Livro de canções”.

Provavelmente quem pula carnaval sabe de cor sucessos como “Cabeleira do Zezé” e “Maria Sapatão”, mas certamente desconhece o trabalho deste importante artista brasileiro, muito menos que ele tem cerca de 300 composições, muitas feitas com parcerias famosas, como Chacrinha (Bota a Camisinha, Break Break, Maria Sapatão), Chico Anízio (Rancho da Praça Onze), David Nasser (Colombina Yê Yê Yê) e Roberto Faissal (Cabeleira do Zezé).

Artista múltiplo e inúmeras vezes regravado por nomes consagrados, como Elza Soares, Elis Regina, Dalva de Oliveira, Emilinha Borba e Emilio Santiago, Kelly considera-se um carioca eclético, bem-humorado e espontâneo.

A prova de que ele procura não seguir estilos é o seu envolvimento, por acaso, com o sambalanço, ritmo intermediário entre o samba de gafieira e a Bossa Nova, surgido na metade dos anos 50. Imortalizado na voz de Elza Soares, o sambalanço “Boato” introduziu ambos neste movimento, mas Kelly garante que não o compôs procurando de ser diferente.

E por essas e outras razões vale a pena ler “A Obra de João Roberto Kelly – Livro de canções”, que reúne melodias cifradas para violão, guitarra e teclados, além de depoimentos de diversas personalidades ligadas à música.

Quem assina o prefácio é o pesquisador musical Rodrigo Faour, que declarou que “Kelly soube ser lírico e romântico, seja na sensualidade de Mistura (imortalizada por Cauby Peixoto) ou na delicadeza de cantar um amor que se foi, como em Mormaço (que mereceu vozes poderosas, como as de Ângela Maria e Helena de Lima). Num ambiente de gafieira mais romântica, seu samba-canção Mais do que Amor foi entoado pela poderosa voz tenor de Jamelão”.

O livro, com 55 páginas, (R$ 27,00), está dividido em duas partes. A primeira contém partituras de 18 músicas de carnaval. Na segunda, as canções da MPB, como "Brotinho Bossa-Nova", "Esmola", "Gamação", "Made in Mangueira" (gravada por Miltinho), "Samba do Teléco-téco", "Só Vou de Balanço" e '" My Fair Show" (parceria com Max Nunes e Maurício Sherman), entre outros sucessos.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Aquarius vai por água abaixo

Hoje estava preparada para comentar sobre o belo espetáculo que reuniu música clássica com Bossa Nova, no último sábado, em Copacabana. Mas, infelizmente, devido à falta de organização, não consegui chegar ao portão do Forte.

A noite era fria e a chuva, vez ou outra, caía sob centenas de pessoas que aguardavam anciosas, numa enorme fila que se formara fora do Forte de Copacabana. Tudo isso para assistir ao Bossa Nova em Concerto, realizado pelo Projeto Aquarius.

O evento estava marcado para as 20h, e reunia a Orquestra Petrobras Sinfônica, regida por um dos idealizadores do Aquarius, Isaac Karabtchevsky, e músicos conceituados, como Turíbio Santos, Mauro Senise e Leila Pinheiro. Tudo isso para comemorar os 50 anos da Bossa Nova. O cenário não podia ser melhor: Copacabana. Afinal, o bairro era um dos pontos de encontro dos bossa novistas, mais precisamente o apartamento de Nara Leão.

Mas, não sei se por subestimação ou por falta de planejamento, resolveram colocar um show dessa magnitude em um local que, notoriamente, não comportaria as cerca de 15 mil pessoas esperadas.

Às 20h já não passava mais ninguém. A fila chegava na casa dos 500m e, até 20:15h, aproximadamente, ninguém sabia ao certo porque nada andava. Pelo contrário. De lá de fora dava para ver muitas pessoas saindo do evento.

Pensávamos que era por causa da chuva, mas esta era tão fina que valia a pena ficar um pouco molhado para ouvir Leila Pinheiro cantando “Samba do Avião” acompanhada de uma das melhores orquestras do país.

Quando estas pessoas passavam por nós, só dava para escutar “lá em cima está insuportável”, “está muito cheio, não dá pra ficar”. Juntou então a insatisfação de quem não conseguiu entrar e de quem lá dentro estava, mas não conseguia se mover.

Agora a pergunta que não quer calar: por que um evento como este não foi na praia, onde, com certeza, havia mais espaço e, certamente, não haveria confusão? Será que não calcularam que o Campo de Marte não comportaria 15 mil pessoas? Será que subestimaram um público amante de boa música?

A resposta, certamente, não terei, mas espero que o próximo Aquarius não vá por água abaixo...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mais uma festa para a Bossa Nova

Vânia Laranjeira
Projeto Aquarius homenageia o estilo musical mais charmoso do Brasil em sua 36a edição

Certa vez o trompetista Lee Morgan declarou que “a música é a única coisa que atravessa todos os grupos étnicos e todas as línguas”. Mal sabia ele que sua frase traduziria bem a intenção do Projeto Aquarius, que neste ano homenageia a Bossa Nova.

Em 1972, o jornalista Roberto Marinho e o maestro Isaac Karabtchevsky idealizaram um projeto que desse uma roupagem popular à música erudita. Era o nascimento do Projeto Aquarius.

Trinta e seis anos depois, mais de oito milhões de pessoas assistiram a cerca de 300 apresentações ao ar livre, em locais diferentes como Quinta da Boa Vista, Aterro do Flamengo e Enseada de Botafogo. Neste ano será a vez da Praia de Copacabana.

Aproveitando que a Bossa Nova completa 50 anos, o arranjador, compositor, pianista, orquestrador e regente Gilson Peranzzetta foi convidado a fazer arranjos que mostrassem as afinidades entre o estilo com a música clássica nesta edição, que ganhou o nome de “Bossa Nova em Concerto”.

Ao lado de Peranzzetta, com quem está lançando um CD, estará o saxofonista e flautista Mauro Senise, há 20 anos no projeto. Senise tocará alguns sucessos, como “Insensatez”(Tom Jobim e Vinícius de Moraes), “Samba da Minha Terra”(Dorival Caimmy) e “Barquinho” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli).

Neto do pensador Alceu Amoroso Lima e aluno do clarinetista e arranjador Paulo Moura, Senise coleciona grandes parcerias, como o multiinstrumentista Hermeto Pascoal, o maestro Wagner Tiso e o instrumentista, arranjador e compositor Luis Eça.

Quem também participa do evento é a estreante Leila Pinheiro, que já prestou sua devida homenagem à Bossa Nova, quando esta completou trinta anos, em 89, com um CD onde fez um mergulho nos maiores clássicos deste estilo.

A melhor maneira de inserir a música clássica para todos

Ao lado de Senise e Leila também estarão o violonista Turíbio Santos, marcando sua estréia no Aquarius, e a Orquestra Petrobrás Sinfônica, regida por Isaac Karabtchevsky.

Filho de um dos maiores maestros do Brasil e fundador da Orquestra Petrobras Sinfônica, Armando Prazeres, o ex-aluno – e agora assistente – de Issac, Carlos Prazeres falou sobre o Projeto.

“O Aquarius é um dos maiores responsáveis pela formação de um público erudito porque é a melhor maneira de inserir a música clássica para todos. Isso é algo que não tem precedentes na história do Brasil”.

Até 1997, Prazeres foi o primeiro oboé da Orquestra Sinfônica Petrobras. Em 2005, estreou na posição de seu pai, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e hoje é maestro da Academia Petrobras Sinfônica e da Camerata Santa Teresa, que reúne os principais líderes de cordas do RJ.

Um divisor de águas

Diretor musical da Orquestra Sinfônica Brasileira durante 20 anos e hoje diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, Isaac Karabtchevsky contou que o Aquarius nasceu quando compreendeu-se que o povo não tinha alcance da música clássica, pois lhe faltava elemento de contato, de veiculação.

“Colocamos no papel a idéia motriz de levar a música erudita para as multidões e vimos que a melhor forma de se fazer isso era veiculando o projeto na mídia, principalmente na televisão, pois foi graças a ela que o Aquarius adquiriu uma feição própria”, explica.

Realmente, o Aquarius é um divisor de águas. Ele permite que o público tenha um olhar diferenciado sobre a música clássica e compreenda que o estilo pode ser apreciado por todas as gerações.

E isso poderá ser claramente comprovado neste sábado, 21, a partir das 20h, no Campo de Marte, no Forte de Copacabana, com entrada franca.

Veja abaixo a programação e bom espetáculo.

Programa:

1. Locução de um texto de Ruy Castro;
2. Abertura "Aquarius" (Gilson Peranzzetta);
3. Chega de saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes);
4. Prelúdio nº 4 (Chopin). Solista; Gilson Peranzzetta (piano);
5. Insensatez (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Solista: Mauro Senise (sax);
6. Samba da minha terra (Dorival Caimmy);
7. Nanã (Moacir Santos e Mário Telles). Solista: Mauro Senise (sax);
8. Daphnis et Chloé (Maurice Ravel);
9. Corcovado (Tom Jobim). Solista: Leila Pinheiro;
10. Samba de verão (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle);
11. Eu sei que vou te amar (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Solista: Mauro Senise (sax);
12. Medley de violão – “Dindi” (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), “Garota de Ipanema”(Tom Jobim e Vinícius de Moraes), “Cadenza do concerto para violão” (Heitor Villa-Lobos). Solista: Turíbio Santos (violão);
13. Concerto para violão - 3º movimeto (Villa-Lobos). Solista: Turíbio Santos (violão);
14. Balanço Zona Sul (Tito Madi);
15. Samba de uma nota só (Tom Jobim e Newton Mendonça). Intérpretes: Gilson Peranzzetta (piano), Mauro Senise (sax), Zeca Assumpção (contrabaixo), Nelson Faria (guitarra), Márcio Bahia (bateria) e Amoy Ribas (percussão) ;
16. Rhapsody in blue (George Gershwin. Solista: Gilson Peranzzetta;
17. Wave (Tom Jobim). Solista: Leila Pinheiro;
18. Desafinado (Tom Jobim e Newton Mendonça);
19. Você e eu (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes);
20. La Mer (Claude Debussy);
21. Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Solista: Mauro Senise (flauta);
22. Estamos aí (Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Regina Werneck). Solista: Gilson Peranzzetta;
23 Samba do avião (Tom Jobim). Solista: Leila Pinheiro;
24. Ela é carioca (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Solista: Leila Pinheiro.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

CINEMA

Rodrigo Santoro e Alice Braga estréiam em Cinturão Vermelho

Rodrigo Santoro e Alice Braga, os dois atores brasileiros de maior sucesso nos EUA, estão juntos em Cinturão Vermelho.

O drama conta a história do honesto professor de jiu-jitsu Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), que é contra competições por achar que elas enfraquecem o homem. Terry é casado com a brasileira Sondra (Alice Braga), que sustenta a modesta academia de seu marido. Cansada disso ela cobra mais atitude dele, se tornando uma grande ambiciosa.

Certa noite Terry salva a vida do astro de cinema Chet Frank (Tim Allen), numa briga de bar, e, como gratidão, o ator o convida para usar suas técnicas de luta em um filme. O problema é que Chet é envolvido com uma grande quadrilha que joga sujo em competições de luta, lideradas pelos irmãos Bruno Silva (Rodrigo Santoro) e Augusto Silva (John Machado), cunhados de Terry. E assim uma sucessão de acontecimentos acaba levando o professor à falência, o obrigando a subir no ringue pela primeira vez.

Porém, na hora H, Terry descobre toda a armação e desiste da luta. Decidido a contar a verdade para o público, ele enfrenta cerca de 10 homens, entre eles lutadores e seguranças, até chegar ao ringue. Como ele é honesto, claro que vence, e até ganha o cinturão vermelho, mas aí já vira um final exagerado demais, no esquema todo-bonzinho-tem-que-vencer, à la Rocky Balboa.

Mas o filme de David Mamet é interessante e capaz de comover. Não é o seu melhor filme, se comparado a Hannibal e O Assalto, mas o roteiro é bem amarrado e flui bem.

Alice Braga se mostra uma grande revelação e Rodrigo Santoro, desta vez, é mais explorado.

ELENCO

Chiwetel Ejiofor ... Mike Terry
Tim Allen ... Chet Frank
Alice Braga ... Sondra Terry
Emily Mortimer ... Laura Black
Joe Mantegna ... Jerry Weiss
Ricky Jay ... Marty Brown
Max Martini ... Officer Joe Collins
Jose Pablo Cantillo ... Snowflake
Rodrigo Santoro ... Bruno Silva
Cyril Takayama ... Jimmy Takata
Randy Couture ... Dylan Flynn
John Machado ... Augusto Silva
David Paymer ... Richie
Rebecca Pidgeon ... Zena Frank
Cathy Cahlin Ryan ... Gini Collins

FICHA TÉCNICA:
Direção e Roteiro - David Mamet
Produtora - Chrisann Verges
Diretor de Arte - Christopher Tandon
Diretor de fotografia - Robert Elswit

segunda-feira, 9 de junho de 2008

TEATRO


Kafka em cartaz no Centro

O Processo, estrelado por Tuca Andrada, fala de problemas em repartições públicas

Um homem com necessidade de mostrar o quão atual é o texto de Franz Kafka. Assim se define José Henrique, diretor de O Processo, em cartaz neste mês, no Centro do Rio.

Escrita em 1914, a obra fala sobre as dificuldades de se resolver algum problema em repartições públicas devido à falta completa de organização. Josef K é um bancário que acorda numa bela manhã e recebe voz de prisão por um crime não revelado. Durante toda a peça ele sofre nas mãos de um sistema altamente burocrático e corrupto, além de abuso de poder. Por se tratar de seu aniversário de 30 anos, inicialmente K. acredita que estão lhe aplicando um trote, de tão absurdo que é.

E assim segue o texto: com acusações absurdas, sem lei ou corte para apontar uma possível culpa em Josef K.

A peça tem duas horas de duração, sem qualquer intervalo. Tuca Andrada, hoje um dos melhores atores teatrais do país, não sai de cena um minuto sequer. Em entrevista ao Culturaetc., o ator fala sobre o ritmo da peça.

Realmente é bastante cansativo pra mim, já que não saio de cena nenhum minuto, mas com os ensaios a gente acaba treinando o fôlego para conseguir chegar até o final do espetáculo. Agora com um pouco mais de um mês de temporada já nem sinto o tempo passar.

Além de Tuca, compõem o elenco Antonio Alves, Gustavo Ottoni, Letícia Guimarães, Paula Valente, Rogério Freitas, Roberto Lobo, Sílvia Monte e Suzana Abranches, que vivem os diversos personagens da história.

Quem conhece Franz Kafka, autor do sucesso A Metamorfose, sabe de sua linguagem rebuscada. E José Henrique, que também assina a adaptação de seu texto, procurou manter essa característica do escritor tcheco. Resultado: uma peça cansativa onde, em algumas cenas, o público é capaz de ficar confuso e não entender o que está sendo dito.

De qualquer forma seu objetivo é bem entendido: mostrar como sofremos em repartições públicas.

Quanto a isso, Tuca comenta que “qualquer pessoa que more nesse país já teve seu dia de Josef K., basta tentar resolver qualquer assunto em uma repartição pública”.

O premiado Hélio Eichbauer assina um cenário composto por oito estantes de aços, móveis e fixas, com caixas de arquivos e processos inspirados no Fórum, que se adaptam a cada mudança de cena.

O Processo fica em cartaz até 27 de julho, no Teatro Maison de France, que fica na Av. Presidente Antônio Carlos, 58, Centro. Os horários são de quinta à sábado, às 21h, e domingo, às 19h. Os preços variam de R$20,00 a R$50,00.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

TEATRO

Quem assiste não consegue ficar parado

Há exatos 120 anos os negros foram libertos da escravidão. Trazidos para o Brasil em meados do século XVI, eles deixaram importantes marcas na nossa cultura. A capoeira, o candomblé e o samba, por exemplo, foram influenciados por esses grandes guerreiros. E um pouco dessa história é contado no espetáculo Intore, montado pelo grupo Kina Mutembua e Orquestra de Berimbaus, da ONG Ação Comunitária do Brasil/RJ (ACB/RJ).

Intore é um show de dança e música afro-brasileiras que faz a releitura de um trabalho tradicional realizado pelo Ballet Nacional de Ruanda. Ele é dividido em duas partes. Na primeira etapa é exibida uma dança típica de conotação sagrada que era realizada apenas pelos guerreiros africanos escolhidos por atributos físicos e morais. Pra quem não sabe, "Intore" significa "Os Escolhidos".

No segundo tempo um resgate da cultura afro disseminada e miscigenada no país é feito com muita cor e batuque. Logo ganham destaque ritmos regionais como samba de roda, maculelê e jongo, além, é claro, da capoeira, da MPB e músicas em dialeto Banto (africano), que marcam o trabalho do grupo.

Quem está na platéia não consegue se conter. O ritmo é envolvente e os dançarinos não param do início ao fim.

O grupo apreendeu a arte com alguns dos próprios artistas do Ballet Nacional de Ruanda durante intercâmbio proposto pela ONU, em 2006. Essa união fez com que o Kina fosse citado como referência de trabalho na área da economia criativa em recente relatório da ONU, lançado na Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), no último dia 20 de abril.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Da Gama apresenta primeiro CD solo na próxima terça

Na próxima terça-feira, dia 20 de maio, Da Gama apresenta seu show Violas e Canções, que vai contar ainda com a participação de George Israel (Kid Abelha) e Biguli (Monobloco e Digital Dubs) na Sala Baden Powell.

Com um repertório que, além de resgatar clássicos do Cidade Negra, passeia por Djavan e resgata mestres da música brasileira, como Hyldon, o show intimista “Violas e Canções” também apresenta composições próprias de Da Gama com parceiros como Marcos Vale em “Ciranda” e Rick Magia em “Amor Proibido”. Há ainda a música de trabalho deste novo projeto, “Amor Matador”, um bolero-canção escrito por Alexandre Lima, do grupo gaúcho Manimao.

O show conta com a banda BaixÁfrica, parceira de longa data do artista, que está tão envolvido com o projeto que já pensa em lançar CD e DVD, mas ainda não revelou nenhum detalhe das gravações, além da participação de Arlindo Cruz em “Ciranda”.

Serviço:

Show Violas e Canções
Data: 20 de maio
Horário: 19h30
Local: Sala Baden Powell
Endereço: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360 -Copacabana
Preços: R$10 (inteira); R$5 (meia).
Mais informações: 2548-0421
Classificação livre.

CINEMA: MARATONA DO AMOR

Há muito tempo não ria tanto assistindo a uma comédia

Há diretores que realmente não aprendem. Acham que, para arrancarem risos da platéia, precisam adotar aquelas chatas e mais do que cansativas piadas apelativas, sobre loiras e homossexuais, além de explorarem o máximo do máximo o sexo, como o horroroso American Pie.

Porém existem caras, como David Schwimmer, o divertido Ross Geller, do inesquecível Friends, que conseguem proporcionar boas gargalhadas com simples diálogos, coisa que um dos seriados mais assistidos dos últimos tempos fez com maestria.

“Maratona do Amor” (Run, fat boy, run) é um longa gostoso de se ver, que conta a história do atrapalhado Dennis (Simon Pegg), que largou a bela Libby (Thandie Newton) no altar, grávida, por medo de não dar conta da responsabilidade. Alguns anos mais tarde, Libby está namorando o playboy Whit (Hank Azaria) e Dennis, enciumado, resolve reconquistá-la.

Acontece que Whit é maratonista, o que chama a atenção de Libby, e Dennis, um sedentário completo, decide participar da mesma corrida que seu adversário para mostrar que se tornou um homem responsável e pronto para assumir sua família.

Uma história assim pode não chamar muita atenção, mas vale a pena conferir as cenas divertidas do inglês Simon Pegg, que também assina o roteiro. Aliás, as comédias inglesas são bem mais engraçadas do que as americanas e não é de se estranhar que “Maratona do Amor” seja mais uma prova disso.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Cinema

Diretor debate a Operação Condor em documentário

A ação conjunta de repressão a opositores das ditaduras instaladas na América do Sul nos anos 70, conhecida como Operação Condor, é tema do documentário do diretor Roberto Mader.

Condor foi o vencedor dos prêmios de melhor documentário no Festival do Rio e prêmio especial do júri em Gramado, no ano de 2007.

Mader entrevistou tanto pessoas ligadas ao regime militar, como o general Manoel Contreras, braço direito do general Augusto Pinochet, e Jarbas Passarinho (o ex-ministro em três governos militares), como algumas vítimas deste período, como a uruguaia Victoria Larraberti (ela e seu irmão, Anatole, quando pequeno, foram separados de seus pais, que foram seqüestrados e torturados), além de especialistas no assunto, como o escritor e jornalista John Dinges, do livro “Os Anos Condor”.

E o Culturaetc. foi conversar com Mader sobre este importante trabalho.

Culturaetc.: Roberto, de onde partiu a idéia de filmar Condor?

Roberto Mader: A idéia do filme surgiu em 98. Eu morei na Inglaterra e, neste ano, estava lá quando o general Augusto Pinochet foi preso e aí começou uma grande busca por arquivos militares da época da repressão, nos anos 70. Por isso a palavra “Condor”, que estava esquecida ou não era conhecida, começou a aparecer e eu percebi que essa operação iria dar um trabalho interessante.

Culturaetc.: E como foi feito o documentário?

Roberto Mader: O documentário foi dividido em três partes. Uma é a contextualização da América do Sul naquela época. Outra explica mais o que era a Operação Condor, apesar de não me prender tanto a isso, como data e fatos, e a terceira é a parte mais forte do documentário, pois fala das conseqüências humanas e psicológicas daquele período.

A operação durou até o período de redemocratização da região, na década seguinte. Liderada por militares da América Latina, a operaçãofoi batizada com o nome do Condor, ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às suas presas.