sexta-feira, 27 de junho de 2008

Filme: Onde Andará Dulce Veiga

Existem filmes que, embora você ache fantásticos, de cara percebe que não vão colar. E esse, infelizmente, é o caso de Onde Andará Dulce Veiga, do diretor Guilherme de Almeida Prado, feito a partir da adaptação do livro homônimo do jornalista Caio Fernando Abreu.

Eriberto Leão é Caio, um escritor que trabalha na redação de um jornal popular. Ele tem que fazer uma crítica positiva de uma banda chamada "Vaginas Dentadas", mas, pelo nome, percebe que será uma difícil missão.

Ao chegar no ensaio, o jornalista se depara com um som familiar: a vocalista, Márcia Felácio (Carolina Dieckmann) canta uma música de sua maior paixão, Dulce Veiga (Maitê Proença), cantora e atriz desaparecida há 20 anos.

Para sua surpresa, a rebelde moça é filha de Dulce. Caio resolve então escrever uma crônica sobre o paradeiro da artista e ganha de seu chefe a missão de encontrá-la. A partir daí a história toma um rumo à la David Lynch, onde drogas, homossexualismo e algumas pitadas de surrealismo se entrelaçam, como nos filmes do diretor do nonsense "Cidade dos Sonhos".

A linguagem é bem interessante. Ela não é linear e o filme tem bastantes quebras. Uma hora ele está lá na frente e depois volta. E Guilherme repete bem algumas cenas, como um ator tentando encontrar a tonalidade certa para determinado texto. No caso, é a mente de Caio imaginando como o real pode se encaixar em seus contos.

Este, sem dúvida, foi o melhor trabalho de Carolina Dieckmann. A moça ficou nua, cantou, fumou maconha (alface, na verdade) e deu um show de interpretação. Ao contrário de Maitê Proença, que é apenas um rosto bonito nas telas. Eriberto Leão também esteve ótimo na pele de Caio.

A trilha sonora de Hermelino Neder e Newton Carneiro traz o melhor da Bossa Nova. As cores de Adrian Teijido e os efeitos de Marcelo Siqueira são de muito bom gosto.

É uma pena que um filme completo como este não cole por aqui. Ele recebeu muitas críticas no Festival do Rio e já coleciona algumas agora, na sua estréia.

O fato é que não fomos acostumados ao bom cinema, a um trabalho mais alternativo. Somos bombardeados por filmes comerciais, de historinhas fáceis de entender, cheios de efeitos para preencher a falta que faz um texto inteligente, como o de Onde andará Dulce Veiga.

Mas, para quem procura diversificar, garanto uma boa sessão.

Onde Andará Dulce Veiga?
(Brasil / Chile, 135 min, 2007)

Direção, Roteiro e Montagem : Guilherme de Almeida Prado
Produção: Assunção Hernandes
Elenco: Carolina Dieckmann, Eriberto Leão, Maitê Proença, Christiane Torloni, Carmo Della Vechia, Cacá Rosset, Oscar Magrini, Julia Lemmertz, Imara Reis, Matilde Mastrangi, Nuno Leal Maia, Maíra Chasseroux
Fotografia: Adrian Teijido
Som Direto: Sílvio Da-Rin
Produtor Executivo: Fernando Andrade
Produção de Lançamento: Rafael Franco
Diretor de Produção: Farid Tavares
Diretor de Arte: Luís Rossi
Efeitos Especiais: Marcelo Siqueira,
ABC Figurinista: Fábio Namatame
Cenografia: Heron Medeiros
Trilha Sonora: Hermelino Neder e Newton Carneiro
Produção de Elenco: Vivian Golombek e Renata Kalman
Produção: Star / Raiz Distribuição: Califórnia Filmes.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O rei da marchinha reúne sua obra em livro

Há 50 anos o compositor, pianista, produtor e apresentador de shows, programas de rádio e televisão João Roberto Kelly começara a traçar uma história de amor ao carnaval, contada agora no recém-lançado “A Obra de João Roberto Kelly – Livro de canções”.

Provavelmente quem pula carnaval sabe de cor sucessos como “Cabeleira do Zezé” e “Maria Sapatão”, mas certamente desconhece o trabalho deste importante artista brasileiro, muito menos que ele tem cerca de 300 composições, muitas feitas com parcerias famosas, como Chacrinha (Bota a Camisinha, Break Break, Maria Sapatão), Chico Anízio (Rancho da Praça Onze), David Nasser (Colombina Yê Yê Yê) e Roberto Faissal (Cabeleira do Zezé).

Artista múltiplo e inúmeras vezes regravado por nomes consagrados, como Elza Soares, Elis Regina, Dalva de Oliveira, Emilinha Borba e Emilio Santiago, Kelly considera-se um carioca eclético, bem-humorado e espontâneo.

A prova de que ele procura não seguir estilos é o seu envolvimento, por acaso, com o sambalanço, ritmo intermediário entre o samba de gafieira e a Bossa Nova, surgido na metade dos anos 50. Imortalizado na voz de Elza Soares, o sambalanço “Boato” introduziu ambos neste movimento, mas Kelly garante que não o compôs procurando de ser diferente.

E por essas e outras razões vale a pena ler “A Obra de João Roberto Kelly – Livro de canções”, que reúne melodias cifradas para violão, guitarra e teclados, além de depoimentos de diversas personalidades ligadas à música.

Quem assina o prefácio é o pesquisador musical Rodrigo Faour, que declarou que “Kelly soube ser lírico e romântico, seja na sensualidade de Mistura (imortalizada por Cauby Peixoto) ou na delicadeza de cantar um amor que se foi, como em Mormaço (que mereceu vozes poderosas, como as de Ângela Maria e Helena de Lima). Num ambiente de gafieira mais romântica, seu samba-canção Mais do que Amor foi entoado pela poderosa voz tenor de Jamelão”.

O livro, com 55 páginas, (R$ 27,00), está dividido em duas partes. A primeira contém partituras de 18 músicas de carnaval. Na segunda, as canções da MPB, como "Brotinho Bossa-Nova", "Esmola", "Gamação", "Made in Mangueira" (gravada por Miltinho), "Samba do Teléco-téco", "Só Vou de Balanço" e '" My Fair Show" (parceria com Max Nunes e Maurício Sherman), entre outros sucessos.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Aquarius vai por água abaixo

Hoje estava preparada para comentar sobre o belo espetáculo que reuniu música clássica com Bossa Nova, no último sábado, em Copacabana. Mas, infelizmente, devido à falta de organização, não consegui chegar ao portão do Forte.

A noite era fria e a chuva, vez ou outra, caía sob centenas de pessoas que aguardavam anciosas, numa enorme fila que se formara fora do Forte de Copacabana. Tudo isso para assistir ao Bossa Nova em Concerto, realizado pelo Projeto Aquarius.

O evento estava marcado para as 20h, e reunia a Orquestra Petrobras Sinfônica, regida por um dos idealizadores do Aquarius, Isaac Karabtchevsky, e músicos conceituados, como Turíbio Santos, Mauro Senise e Leila Pinheiro. Tudo isso para comemorar os 50 anos da Bossa Nova. O cenário não podia ser melhor: Copacabana. Afinal, o bairro era um dos pontos de encontro dos bossa novistas, mais precisamente o apartamento de Nara Leão.

Mas, não sei se por subestimação ou por falta de planejamento, resolveram colocar um show dessa magnitude em um local que, notoriamente, não comportaria as cerca de 15 mil pessoas esperadas.

Às 20h já não passava mais ninguém. A fila chegava na casa dos 500m e, até 20:15h, aproximadamente, ninguém sabia ao certo porque nada andava. Pelo contrário. De lá de fora dava para ver muitas pessoas saindo do evento.

Pensávamos que era por causa da chuva, mas esta era tão fina que valia a pena ficar um pouco molhado para ouvir Leila Pinheiro cantando “Samba do Avião” acompanhada de uma das melhores orquestras do país.

Quando estas pessoas passavam por nós, só dava para escutar “lá em cima está insuportável”, “está muito cheio, não dá pra ficar”. Juntou então a insatisfação de quem não conseguiu entrar e de quem lá dentro estava, mas não conseguia se mover.

Agora a pergunta que não quer calar: por que um evento como este não foi na praia, onde, com certeza, havia mais espaço e, certamente, não haveria confusão? Será que não calcularam que o Campo de Marte não comportaria 15 mil pessoas? Será que subestimaram um público amante de boa música?

A resposta, certamente, não terei, mas espero que o próximo Aquarius não vá por água abaixo...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mais uma festa para a Bossa Nova

Vânia Laranjeira
Projeto Aquarius homenageia o estilo musical mais charmoso do Brasil em sua 36a edição

Certa vez o trompetista Lee Morgan declarou que “a música é a única coisa que atravessa todos os grupos étnicos e todas as línguas”. Mal sabia ele que sua frase traduziria bem a intenção do Projeto Aquarius, que neste ano homenageia a Bossa Nova.

Em 1972, o jornalista Roberto Marinho e o maestro Isaac Karabtchevsky idealizaram um projeto que desse uma roupagem popular à música erudita. Era o nascimento do Projeto Aquarius.

Trinta e seis anos depois, mais de oito milhões de pessoas assistiram a cerca de 300 apresentações ao ar livre, em locais diferentes como Quinta da Boa Vista, Aterro do Flamengo e Enseada de Botafogo. Neste ano será a vez da Praia de Copacabana.

Aproveitando que a Bossa Nova completa 50 anos, o arranjador, compositor, pianista, orquestrador e regente Gilson Peranzzetta foi convidado a fazer arranjos que mostrassem as afinidades entre o estilo com a música clássica nesta edição, que ganhou o nome de “Bossa Nova em Concerto”.

Ao lado de Peranzzetta, com quem está lançando um CD, estará o saxofonista e flautista Mauro Senise, há 20 anos no projeto. Senise tocará alguns sucessos, como “Insensatez”(Tom Jobim e Vinícius de Moraes), “Samba da Minha Terra”(Dorival Caimmy) e “Barquinho” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli).

Neto do pensador Alceu Amoroso Lima e aluno do clarinetista e arranjador Paulo Moura, Senise coleciona grandes parcerias, como o multiinstrumentista Hermeto Pascoal, o maestro Wagner Tiso e o instrumentista, arranjador e compositor Luis Eça.

Quem também participa do evento é a estreante Leila Pinheiro, que já prestou sua devida homenagem à Bossa Nova, quando esta completou trinta anos, em 89, com um CD onde fez um mergulho nos maiores clássicos deste estilo.

A melhor maneira de inserir a música clássica para todos

Ao lado de Senise e Leila também estarão o violonista Turíbio Santos, marcando sua estréia no Aquarius, e a Orquestra Petrobrás Sinfônica, regida por Isaac Karabtchevsky.

Filho de um dos maiores maestros do Brasil e fundador da Orquestra Petrobras Sinfônica, Armando Prazeres, o ex-aluno – e agora assistente – de Issac, Carlos Prazeres falou sobre o Projeto.

“O Aquarius é um dos maiores responsáveis pela formação de um público erudito porque é a melhor maneira de inserir a música clássica para todos. Isso é algo que não tem precedentes na história do Brasil”.

Até 1997, Prazeres foi o primeiro oboé da Orquestra Sinfônica Petrobras. Em 2005, estreou na posição de seu pai, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e hoje é maestro da Academia Petrobras Sinfônica e da Camerata Santa Teresa, que reúne os principais líderes de cordas do RJ.

Um divisor de águas

Diretor musical da Orquestra Sinfônica Brasileira durante 20 anos e hoje diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, Isaac Karabtchevsky contou que o Aquarius nasceu quando compreendeu-se que o povo não tinha alcance da música clássica, pois lhe faltava elemento de contato, de veiculação.

“Colocamos no papel a idéia motriz de levar a música erudita para as multidões e vimos que a melhor forma de se fazer isso era veiculando o projeto na mídia, principalmente na televisão, pois foi graças a ela que o Aquarius adquiriu uma feição própria”, explica.

Realmente, o Aquarius é um divisor de águas. Ele permite que o público tenha um olhar diferenciado sobre a música clássica e compreenda que o estilo pode ser apreciado por todas as gerações.

E isso poderá ser claramente comprovado neste sábado, 21, a partir das 20h, no Campo de Marte, no Forte de Copacabana, com entrada franca.

Veja abaixo a programação e bom espetáculo.

Programa:

1. Locução de um texto de Ruy Castro;
2. Abertura "Aquarius" (Gilson Peranzzetta);
3. Chega de saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes);
4. Prelúdio nº 4 (Chopin). Solista; Gilson Peranzzetta (piano);
5. Insensatez (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Solista: Mauro Senise (sax);
6. Samba da minha terra (Dorival Caimmy);
7. Nanã (Moacir Santos e Mário Telles). Solista: Mauro Senise (sax);
8. Daphnis et Chloé (Maurice Ravel);
9. Corcovado (Tom Jobim). Solista: Leila Pinheiro;
10. Samba de verão (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle);
11. Eu sei que vou te amar (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Solista: Mauro Senise (sax);
12. Medley de violão – “Dindi” (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), “Garota de Ipanema”(Tom Jobim e Vinícius de Moraes), “Cadenza do concerto para violão” (Heitor Villa-Lobos). Solista: Turíbio Santos (violão);
13. Concerto para violão - 3º movimeto (Villa-Lobos). Solista: Turíbio Santos (violão);
14. Balanço Zona Sul (Tito Madi);
15. Samba de uma nota só (Tom Jobim e Newton Mendonça). Intérpretes: Gilson Peranzzetta (piano), Mauro Senise (sax), Zeca Assumpção (contrabaixo), Nelson Faria (guitarra), Márcio Bahia (bateria) e Amoy Ribas (percussão) ;
16. Rhapsody in blue (George Gershwin. Solista: Gilson Peranzzetta;
17. Wave (Tom Jobim). Solista: Leila Pinheiro;
18. Desafinado (Tom Jobim e Newton Mendonça);
19. Você e eu (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes);
20. La Mer (Claude Debussy);
21. Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Solista: Mauro Senise (flauta);
22. Estamos aí (Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Regina Werneck). Solista: Gilson Peranzzetta;
23 Samba do avião (Tom Jobim). Solista: Leila Pinheiro;
24. Ela é carioca (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Solista: Leila Pinheiro.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

CINEMA

Rodrigo Santoro e Alice Braga estréiam em Cinturão Vermelho

Rodrigo Santoro e Alice Braga, os dois atores brasileiros de maior sucesso nos EUA, estão juntos em Cinturão Vermelho.

O drama conta a história do honesto professor de jiu-jitsu Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), que é contra competições por achar que elas enfraquecem o homem. Terry é casado com a brasileira Sondra (Alice Braga), que sustenta a modesta academia de seu marido. Cansada disso ela cobra mais atitude dele, se tornando uma grande ambiciosa.

Certa noite Terry salva a vida do astro de cinema Chet Frank (Tim Allen), numa briga de bar, e, como gratidão, o ator o convida para usar suas técnicas de luta em um filme. O problema é que Chet é envolvido com uma grande quadrilha que joga sujo em competições de luta, lideradas pelos irmãos Bruno Silva (Rodrigo Santoro) e Augusto Silva (John Machado), cunhados de Terry. E assim uma sucessão de acontecimentos acaba levando o professor à falência, o obrigando a subir no ringue pela primeira vez.

Porém, na hora H, Terry descobre toda a armação e desiste da luta. Decidido a contar a verdade para o público, ele enfrenta cerca de 10 homens, entre eles lutadores e seguranças, até chegar ao ringue. Como ele é honesto, claro que vence, e até ganha o cinturão vermelho, mas aí já vira um final exagerado demais, no esquema todo-bonzinho-tem-que-vencer, à la Rocky Balboa.

Mas o filme de David Mamet é interessante e capaz de comover. Não é o seu melhor filme, se comparado a Hannibal e O Assalto, mas o roteiro é bem amarrado e flui bem.

Alice Braga se mostra uma grande revelação e Rodrigo Santoro, desta vez, é mais explorado.

ELENCO

Chiwetel Ejiofor ... Mike Terry
Tim Allen ... Chet Frank
Alice Braga ... Sondra Terry
Emily Mortimer ... Laura Black
Joe Mantegna ... Jerry Weiss
Ricky Jay ... Marty Brown
Max Martini ... Officer Joe Collins
Jose Pablo Cantillo ... Snowflake
Rodrigo Santoro ... Bruno Silva
Cyril Takayama ... Jimmy Takata
Randy Couture ... Dylan Flynn
John Machado ... Augusto Silva
David Paymer ... Richie
Rebecca Pidgeon ... Zena Frank
Cathy Cahlin Ryan ... Gini Collins

FICHA TÉCNICA:
Direção e Roteiro - David Mamet
Produtora - Chrisann Verges
Diretor de Arte - Christopher Tandon
Diretor de fotografia - Robert Elswit

segunda-feira, 9 de junho de 2008

TEATRO


Kafka em cartaz no Centro

O Processo, estrelado por Tuca Andrada, fala de problemas em repartições públicas

Um homem com necessidade de mostrar o quão atual é o texto de Franz Kafka. Assim se define José Henrique, diretor de O Processo, em cartaz neste mês, no Centro do Rio.

Escrita em 1914, a obra fala sobre as dificuldades de se resolver algum problema em repartições públicas devido à falta completa de organização. Josef K é um bancário que acorda numa bela manhã e recebe voz de prisão por um crime não revelado. Durante toda a peça ele sofre nas mãos de um sistema altamente burocrático e corrupto, além de abuso de poder. Por se tratar de seu aniversário de 30 anos, inicialmente K. acredita que estão lhe aplicando um trote, de tão absurdo que é.

E assim segue o texto: com acusações absurdas, sem lei ou corte para apontar uma possível culpa em Josef K.

A peça tem duas horas de duração, sem qualquer intervalo. Tuca Andrada, hoje um dos melhores atores teatrais do país, não sai de cena um minuto sequer. Em entrevista ao Culturaetc., o ator fala sobre o ritmo da peça.

Realmente é bastante cansativo pra mim, já que não saio de cena nenhum minuto, mas com os ensaios a gente acaba treinando o fôlego para conseguir chegar até o final do espetáculo. Agora com um pouco mais de um mês de temporada já nem sinto o tempo passar.

Além de Tuca, compõem o elenco Antonio Alves, Gustavo Ottoni, Letícia Guimarães, Paula Valente, Rogério Freitas, Roberto Lobo, Sílvia Monte e Suzana Abranches, que vivem os diversos personagens da história.

Quem conhece Franz Kafka, autor do sucesso A Metamorfose, sabe de sua linguagem rebuscada. E José Henrique, que também assina a adaptação de seu texto, procurou manter essa característica do escritor tcheco. Resultado: uma peça cansativa onde, em algumas cenas, o público é capaz de ficar confuso e não entender o que está sendo dito.

De qualquer forma seu objetivo é bem entendido: mostrar como sofremos em repartições públicas.

Quanto a isso, Tuca comenta que “qualquer pessoa que more nesse país já teve seu dia de Josef K., basta tentar resolver qualquer assunto em uma repartição pública”.

O premiado Hélio Eichbauer assina um cenário composto por oito estantes de aços, móveis e fixas, com caixas de arquivos e processos inspirados no Fórum, que se adaptam a cada mudança de cena.

O Processo fica em cartaz até 27 de julho, no Teatro Maison de France, que fica na Av. Presidente Antônio Carlos, 58, Centro. Os horários são de quinta à sábado, às 21h, e domingo, às 19h. Os preços variam de R$20,00 a R$50,00.